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Setúbal

Venda de casas parou em Tróia

por ROBERTO DORES  

Cerca de 60% de apartamentos por vender. Moradores já temem que se esteja perante uma nova Torralta

Cerca de 60% dos apartamentos e vivendas do novo Tróia Resort continuam por vender. Mas, pior do que isso, a procura que se fez sentir até meados do ano passado sofreu uma redução drástica, levando a Associação de Moradores Viver Tróia a recear ter a Sonae acabado de construir uma "nova Torralta". O presidente da associação, Ricardo Martinez, aceita que a crise económica possa explicar parte do problema, mas garante que há questões que estão a transformar a península em mais um "elefante branco".

"Quem é que compra um apartamento a preços altíssimos num local onde praticamente não há vida?", questiona Ricardo Martinez, lamentando que nesta altura apenas exista um pequeno café, uma papelaria, uma óptica e um supermercado. Isto num local onde já existem mais de 15 mil camas, sendo que a actual conjuntura lançou num compasso de espera o último investimento avaliado em 115 milhões de euros destinado a financiar os apartamentos turísticos da Lagoa e o Eco Resort.

"Que turismo de excelência é este de que temos ouvido falar? É claro que estamos muito preocupados por ver como a venda de casas parou completamente, porque Tróia está desertificada", sublinha Ricardo Martinez, numa altura em que o próprio grupo Sonae admite as dificuldades do sector imobiliário, revelando que 60% dos imóveis continuam à venda. Quer isto dizer que há ainda um total de 90 moradias em banda e 70 apartamentos sem compradores.

Para o representante dos moradores, há pequenos detalhes que estão a condenar os primeiros tempos da nova Tróia ao insucesso, caso do serviço de catamarãs, entre a Marina de Tróia e Setúbal, que é interrompido às 21.00 horas, obrigando as pessoas a utilizarem os ferries, cujo cais se situa na zona dos Fuzileiros, a cerca de quilómetros do aglomerado urbano. "Há pessoas que não sabe e ficam a pé. Ou apanham boleia e vêm andando, porque o autocarro de 70 lugares que costuma estar no cais só transporta os trabalhadores. Isto é inconcebível, porque o motorista nem aceita dinheiro aos turistas", lamenta o dirigente, enquanto a Sonae admite que está a tentar fazer uma gestão rigorosa das suas duas travessias fluviais do Sado, alertando que a Atlantic Ferries já soma um grande prejuízo.

Mas Martinez aponta ainda para os preços dos parques de estacionamento subterrâneos. Os primeiros quinze minutos de utilização custam 25 cêntimos, enquan- to as restantes fracções de 15 minutos rondam 15 cêntimos. Ou seja, qualquer turista que queira estacionar em Tróia não o faz por menos de 15 euros diários. "Então não podia haver uma atenção para quem aqui vem passar férias? Isto é uma enormidade", alerta o representante dos moradores.


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