por Céu Neves, na Madeira
Militares ligam as povoações. As zonas mais vulneráveis, física e socialmente, foram as mais afectadas.
Chegam hoje à Madeira os últimos módulos da ponte que os militares vão instalar na Fajã da Ribeira, Ribeira Brava, onde a população ainda está isolada. A estrutura tem 20 metros de comprimento e pode suportar 30 toneladas, prevendo- -se que a sua montagem esteja concluída até ao final da semana.
E a autarquia colocou uma ponte flutuante em Tabua. É o início da reconstrução após a catástrofe.
Os módulos que compõem a ponte militar foram levados do Continente e em viagens sucessivas do Hércules C-130. Porta-voz do Estado-Maior General das Forças Armadas disse ao DN esperar que estrutura esteja colocada no final da semana, permitindo o acesso a 70 habitações.
As acessibilidades são a prioridade dos autarcas madeirenses. E recuperar habitações e outros edifícios destruídos pelas enxurradas. O biólogo Hélder Spínola e a ambientalista Idalina Perestrelo, ambos da Quercus, e o geólogo Domingos Rodrigues dizem ser uma boa altura para corrigir erros, mas temem que as populações esqueçam a tragédia. Ao longo dos anos, construíram-se casas e estradas, rasgaram-se túneis e tirou-se espaço aos leitos das ribeiras. O terreno na Madeira é escasso e caro.
O caso da família de Aurélio Abreu, 71 anos, morador na Portada de Santo António, na Lomba do Monte, Funchal, é paradigmático. Casou e alargou a casa à medida que os cinco filhos foram constituindo família. Tal como centenas de outras famílias. Uma casa térrea que ficou com um primeiro andar e um "puxadinho" (anexo) num terreno de 470 metros quadrados e em declive, onde vivem 17 pessoas, 13 adultos e quatro crianças. As "quebradas" (quedas de terra) derrubaram a parede que protegia a habitação, a um metro de distância. Ficaram alagados de lama e com os haveres destruídos. Ainda não conseguem dormir quando a chuva e o vento são mais fortes, como aconteceu na noite de segunda para terça-feira.
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