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Polémica

Espanha critica atraso português na extradição dos detidos da ETA

por MARIA DE LURDES VALE  

Espanha critica atraso português  na extradição dos detidos da ETA

 Ministro diz que Portugal é "país menos acostumado na luta contra o terrorismo"

As autoridades espanholas já fizeram saber ao Governo português o seu desagrado pela forma como está a decorrer o processo de extradição dos dois presumíveis membros da ETA detidos no sábado em Portugal. Fonte do Ministério do Interior considera negativo o facto de a justiça portuguesa ter decidido dar mais 20 dias ao advogado dos presos José Galamba para que prepare as alegações de Garcia Arrieta e Iratxe Yanez Ortiz de Barron contra a sua transferência para Espanha.

O ministro do Interior, Alfredo Rubalcalba, vaticinou há dois dias que o mandado de detenção europeia , emitido no domingo pelo Juiz da Audiência Nacional, Grande Marlaska, apressaria a extradição. A ETA é um caso sempre urgente para o Executivo espanhol, ainda mais numa altura em que Espanha assume o semestre da Presidência da União Europeia e receia que os terroristas aproveitem este "palco" para cometer um ou vários atentados.

Ontem de manhã, o ministro espanhol voltou a deixar bem claro, já o tinha feito em finais de Dezembro, que a ETA fará tudo o que esteja ao seu alcance para " tentar cometer um atentado". Referindo--se às intenções do grupo terrorista relativamente a Portugal, Rubalcalba disse que "os terroristas tinham a intenção de ali criar uma base logística alternativa à que tem em França", explicando que naquele país "estão cada vez mais acossados" devido à identificação e vigilância que as autoridades francesas e espanholas fazem dos seus esconderijos.

Para Rubalcalba, considerado pela imprensa como o ministro do Interior mais eficaz e demolidor face à ETA, " os pistoleiros pensaram em Portugal por considerarem que é um país menos acostumado na luta contra o terrorismo". Caso o plano de sábado não tivesse sido descoberto, afirmou, teria acontecido uma "situação peculiar" que era a de os terroristas começarem a "mandar comandos e material explosivo a partir de Portugal" e, obviamente, que estas "rotas seriam menos controladas".

Ontem, o ministro da Justiça português, Alberto Martins, encontrou-se, em Madrid, com o seu homólogo espanhol, Francisco Caamaño, para uma reunião sobre as prioridades da Presidência espanhola na área da justiça. O encontro serviu igualmente para uma conversa sobre a forma como está a decorrer o processo de extradição dos dois alegados membros da ETA detidos em Portugal e também sobre a futura constituição de equipas de investigação para crimes ligados à actividade terrorista, nomeadamente da ETA.


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