por P.V.M.
Questão de conteúdo e não de forma. Esta a ideia que resume a reacção dos principais sindicatos dos professores ao reconhecimento de José Sócrates de que faltou "delicadeza" ao Governo na relação com a classe. Para os sindicalistas, além de tardio, o reconhecimento do primeiro-ministro é eleitoralista e tenta esconder os defeitos das reformas no sector.
"Os problemas não têm a ver com falhas de comunicação, por não se ter sabido explicar as medidas, mas sim com conteúdos. O problema do Estatuto da Carreira Docente, por exemplo, tem a ver com o diploma e não com uma questão de estilo". Mário Nogueira, líder da Fenprof, admitiu que "as palavras são importantes", mas lembrou que "o primeiro-ministro foi dos primeiros a afirmar que os professores são uma classe privilegiada".
A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação alinha com a Fenprof e lamenta este tardio reconhecimento, ao mesmo tampo que rejeita que "o que tenha estado em causa ao longo de toda a legislatura se possa reduzir a uma questão de delicadeza ou de falta de capacidade de explicação, ou sequer que as reacções dos professores - nas manifestações e nas greves - tenham sido actos de infantilidade". A FNE acredita que o Ministério da Educação e o Governo "agiram consciente, coerente e sistematicamente contra os professores, acusando-os de não quererem trabalhar, nem ser avaliados e impondo-lhes um Estatuto de Carreira Docente" que não "os valoriza e dignifica".
A coordenação de posições entre o Ministério da Educação e o primeiro-ministro foi reforçada por Mário Nogueira, que não admite que José Sócrates se tente "agora ilibar de culpas, com medo da força da classe" dos professores. "A ministra aplicou medidas do Governo, teve o apoio explícito do primeiro-ministro".
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