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Fenómeno

Prostituição aumenta mas faltam os clientes

por CÉU NEVES, com A.B.F.  

Profissionais e associações dizem que a crise afecta sobretudo a procura. Mas também há quem recorra à prostituição, em 'part-time', para aumentar rendimentos.

Os clientes estão a diminuir devido à actual conjuntura económica, queixa-se quem se prostitui, sejam mulheres, homens ou transexuais, alguns dos quais acabam por emigrar. E, ao mesmo tempo, há quem tenha recorrido à prostituição de rua para completar os rendimentos ou substituir o emprego perdido. A justificação é a mesma: crise.

As associações de apoio a esta população dizem que a situação económica difícil tem afectado principalmente a procura. "As mulheres queixam-se que não têm clientes", refere Jorge Martins, coordenador do Centro de Encontro e de Apoio a Prostitutos e Prostitutas do Porto. É também esta a percepção do movimento Panteras Rosas, que tem um equipa na rua Conde Redondo, em Lisboa.

"A prostituição no Conde Redondo é sobretudo de transexuais e, como diminuíram os clientes, estes acabam por procurar outras cidades, como Paris e Madrid", refere um dos activista das Panteras, preferindo não se identificar por razões "de segurança". Em relação às mulheres, estima que exista diminuição de 30%.

A situação da rua Conde Redondo parece ser, de facto, sui generis. É que em outras artérias da cidade se tem assistido a uma maior visibilidade da prostituição. "Obviamente que para estes grupos excluídos, habitualmente com dificuldades económicas, a crise pode potenciar o recurso à prostituição, mas não podemos dizer que uma mulher entra na prostituição apenas por razões económicas. Há um conjunto de factores que a levam a prostituir-se", argumenta Hélder Vicente, técnico da Obra Social das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, coordenador das equipas de rua.

A perda do emprego, um emprego precário ou a dependência de um apoio social podem levar a mulher a tentar melhorar os rendimentos recorrendo à prostituição. E Hélder Vicente diz sentir uma maior visibilidade das mulheres que se prostituem em part-time, o que representa uma pequena fatia deste fenómeno, cerca de 15%.


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