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ÓSCAR MASCARANHAS

Título é a vitrina da notícia: quer-se verdadeiro e atraente

por ÓSCAR MASCARANHAS  

Registo que, nos últimos tempos, os títulos das notícias e das reportagens do DN têm sido mais atraentes, imaginativos e leves. Deduzo que está em curso uma aposta em mais investimento no tempo dedicado a espremer meninges para conseguir mais fácil cativação do leitor. É este o saboroso paradoxo da criação do título: ele resulta tanto mais ligeiro e convidativo quanto mais nos encerramos na gravidade de ter de o construir inspirado, limpando-o depois de toda a transpiração que implicou.

É uma regra básica do comércio - e não estou a falar de vender gato por lebre - e de toda a comunicação. Se os olhos não ficarem prisioneiros da notícia, se a ponte entre emissor e recetor não se estabelecer de forma sedutora, estaremos perante um ato falhado: o que se tinha para oferecer era muito bom, mas ninguém ficou a saber. Ai do restaurante que queira distinguir-se de uma vulgar manjedoura se não tiver um serviço de copa.

Além da vontade de criar por parte de quem é responsável pelos títulos, o DN beneficia de uma decisão estratégica muito feliz: a flexibilidade do grafismo perante a vontade de comunicar. Não assisti por dentro aos estertores do parto do período mais cinzento do DN, a seguir ao 25 de novembro de 1975, liderado por Victor da Cunha Rego e umbilicalmente comunicante com Mário Soares e Almeida Santos (os paladinos da mais ou menos liberdade que alguns hoje incensam - com mais ou menos razão - também tiveram os seus longos momentos de penumbra e mesmo de imposição de obscuridade: o nosso coração luso e a volatilidade da memória é que nos impele sempre à reconciliação, benzam-nos as divindades!). Em pânico perante o que julgava ser a manha incontrolável dos comunistas que rastejavam como toupeiras pelas entrelinhas dos seus escritos, o DN viveu anos e anos em estado de vigilância antimotim ideológico, através de três instrumentos: um controlo férreo da agenda de cobertura jornalística; uma leitura ao microscópio dos textos, contextos e pretextos, a qual se foi entranhando como a autocensura de braços caídos que encontrei no jornal quando aqui entrei no início dos anos oitenta; e uma submissamente indiscutida estética gráfica dos títulos que constitui a castração química da capacidade criativa dos jornalistas.

Deve ser por isso que, já tendo redigido três propostas de livros de estilo para outros tantos órgãos de informação, coloco sempre uma advertência inicial: o livro de estilo é para ser transgredido sempre que a criatividade do jornalista encontrar solução melhor; não é para ser ovina e burocraticamente obedecido, por preguiça.

Os títulos do DN, naquela altura, tinham regras apertadíssimas. Havia basicamente três tamanhos de letra para os títulos: corpo 48, ao alto de página; 36, a meio; e 24 ao fundo (o formato do jornal era broadsheet, verdadeiros lençóis à antiga). Nas páginas interiores, a escala descendente de tamanhos era de 36, 24 e 18.


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por Tiago Aboim, tiago.aboim.js@gmail.com

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