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OSCAR MASCARENHAS
Provedor do leitor

A batalha sem tréguas dos dinossauros vivos contra a escravidão (2)

por OSCAR MASCARENHAS  

A desagregação do sistema de recrutamento e formação dos jornalistas pode datar-se de meados dos anos 80, quando a informação voltou a ser vista como fonte de lucro, não por si própria, mas por aquilo que proporciona aos grupos que a controlem. Possuir um órgão de informação é influir e pressionar a decisão política. Foi a transferência do jornalismo dos jornalistas para o jornalismo do patrão.

Há quem diga que não; que foi o período em que o jornalismo se tornou mais arrojado e inconformista, com agenda própria. Gostaria de concordar, mas, numa perspetiva global - independentemente dos êxitos e brilharetes episódicos -, o resultado global foi, e é, que toda a informação está contida nas baias do bloco central de interesses económicos defensores de uma sociedade de mercado e não tão-somente numa economia de mercado.

A justificação para a entrega dos órgãos de informação - está por fazer-se a história das pechinchas "vendidas" a "gente de confiança" e do que terá ficado agarrado aos dedos dos intervenientes - seria apenas provinciana e patusca, se não se tratasse de um velhaco embuste: era necessário permitir a concentração dos média para impedir a "invasão" do capital estrangeiro! Vê-se o resultado de tal patriotismo: apenas não se descortina onde encontrar suficiente alcatrão e penas para neles mergulhar os políticos e capitalistas de guano que urdiram tal negociata. Lembram-se dos graves e sérios banqueiros que um dia foram ter com o Presidente para reclamar mecanismos de defesa contra a banca estrangeira - e no dia seguinte, com porcina desfaçatez, estavam a vender-se aos espanhóis?

Nos órgãos de informação, a estratégia visou a desregulação e o controlo patronal da agenda. Os jornalistas, até então, formavam um bloco bastante sólido em torno do seu sindicato. Sem nunca necessitar de sindicalistas pagos, o Sindicato era liderado por um escol de jornalistas de grande prestígio: alguns dos maiores craques do jornalismo português foram dirigentes sindicais.

O jornalismo do patrão modificou radicalmente o quadro: em primeiro lugar, impôs a filosofia de que uma empresa tem de ter um núcleo de profissionais em que se apoia - e por isso paga-lhes bem - e depois existe um pessoal adventício que tanto pode estar como ir. Os que foram selecionados para o núcleo de confiança desistiram, na sua maioria, de ter os seus dares e tomares com o patrão e aconteceu-lhes aquilo contra o que o prior da aldeia sempre alertou: "Quando não se vive como se pensa, passa-se a pensar como se vive."


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