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A detenção de Sócrates e o que disse o país vizinho

por José Filipe Pinto  

Como era expetável, a detenção de José Sócrates teve direito a uma grande cobertura mediática por parte da imprensa estrangeira e não apenas nos países que acompanham com mais atenção a vida nacional. Efetivamente, não é habitual que um antigo primeiro-ministro seja detido num aeroporto no momento do desembarque. Numa altura em que o interrogatório a José Sócrates ainda não tinha terminado - na noite de domingo, foi interessante perceber a forma como a principal imprensa espanhola, que foi lesta a dar a notícia da detenção, estava a acompanhar o assunto nas suas edições online, aquelas que estão em cima da notícia em tempo real.

Assim, o El Mundo, que vinha usado alguma prudência - falava de possível fraude fiscal ou de suspeitas nas edições anteriores - titulava: "Passos Coelho admite que la detención de Sócrates 'no es trivial' y pide confianza en las instituciones". Um título politicamente correto, embora pouco consentâneo com o perfil traçado: "El carismático barón socialista al borde del precipício" e, sobretudo, com a analepse "La sombra del 'caso Freeport'". O passado a bater à porta do presente e a querer hipotecar o futuro.

Quanto ao diário El País, titulava "Sócrates comparece ante el juez tras su arresto por corrupción" e traçava um perfil pouco elogioso do visado no subtítulo "El primer ministro que se regularizó su proprio fraude fiscal (dos veces)". Se a expressão "por corrupción" já apresenta um aspeto definitivo próprio de uma sentença, a situação piora no segundo caso, uma vez que se dá como provada a prática em duplicado de uma fraude em benefício próprio. Em causa, as duas campanhas de regularização tributária ocorridas durante os governos de José Sócrates e que permitiram aos infratores regularizar a situação fiscal à custa do pagamento de um imposto de 5%, uma taxa muito aquém daquela a que estavam obrigados na altura do incumprimento.

Sendo as duas publicações referidas as mais lidas em Espanha, descontando obviamente os jornais desportivos, talvez não seja abusivo concluir que os nossos vizinhos, pelo menos no que concerne à opinião publicada, quase dispensaram o julgamento e já ditaram a sentença.

Em Portugal, se o respeito pela separação dos poderes aconselha a que a política não interfira na justiça e que a justiça não se politize, não é menos importante que a comunicação social cumpra aquela que constitui a sua principal função - informar. Os juízes, no presente, e a História, no futuro, encarregar-se-ão de fazer a sua parte.


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