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Base das Lajes: Hibernação Artificial

por José Filipe Pinto, jofipinto@gmail.com  

O anúncio feito, no dia 8 de janeiro, pelo Secretário da Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, sobre a redução de meio milhar de efetivos da base aérea das Lajes, não constituiu uma surpresa.

Na verdade, esta retirada de dois terços dos efetivos militares corresponde a uma intenção, há muito anunciada, de transformar as Lajes numa base gas and go, ao arrepio da vontade dos governantes regionais e nacionais e dos interesses da população açoriana. No livro que escrevi em 2012, 'Lisboa, os Açores e a América: Jogos de Poder ou Rapina de Soberania?', para além de explicar as razões que tinham levado António de Oliveira Salazar a autorizar a concessão de facilidades na base aos norte-americanos, provei que só ele tinha sabido tirar proveito da posição geoestratégica das Lajes. Um proveito questionável ao nível da finalidade - o apoio dos Estados Unidos à manutenção do Império Colonial Português -, mas inquestionável no que concerne àquilo que Salazar identificava como a defesa dos interesses nacionais.

Desvalorizei, por conseguinte, o papel de Marcelo Caetano e dos detentores do poder na fase pós-25 de Abril de 1974, uma vez que não souberam rentabilizar o ativo que as Lajes representam e se colocaram numa posição de subalternidade negocial relativamente à superpotência norte-americana.

Foi essa atitude dos governantes portugueses, sobretudo a nível do poder central, que me levou a traçar uma visão prospetiva pouco animadora para as Lajes. Um cenário que agora se confirma e que terá reflexos muito negativos na vida de uma região que fez da presença norte-americana a principal fonte de rendimentos. Em oposição ao quase marasmo da parte portuguesa, os norte-americanos têm primado por uma estratégia suscetível de servir os seus interesses. Daí a contínua estratégia de desvalorização da importância da base açoriana. Uma estratégia destinada a desaconselhar a exigência de contrapartidas demasiado onerosas. Por isso, esta espécie de hibernação artificial da base. Afinal, nada melhor do que manter o direito de ocupação das Lajes a um nível mínimo e, se as circunstâncias o vierem a exigir, reativar as instalações na sua plenitude. Algo exequível num curto lapso de tempo.

Face ao exposto, a forma como as autoridades portuguesas reagiram à decisão da Administração Obama constitui fraco conforto para os trabalhadores portugueses da base e um enorme constrangimento para a economia da Ilha Terceira. Mais uma vez a tónica vai ser colocada no ato de minimizar os prejuízos e não na definição de uma estratégia capaz de rentabilizar o ativo que as Lajes representam.


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