Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


BERNARDO PIRES DE LIMA
Análise

Lidar com carismáticos

por BERNARDO PIRES DE LIMA  

A Venezuela de Chávez esteve para a América Latina como a Rússia de Putin tem estado para a Eurásia: assentam poder em legitimidade eleitoral, criam um sistema clientelar à volta do petróleo e do gás (bases das finanças públicas) e devotam programa político a uma imensa fatia da população em grande dificuldade, que vê nestes líderes o paternalismo de que necessitam. Não há nada de errado em dedicar políticas aos mais pobres, como é evidente, mas não deixa de haver uma leitura sobre esse exercício de poder: mais do que paternalismo político, há quase uma tutela do poder, normalmente concentrado num círculo restrito, que uma vez em declínio ou num aparente vazio (como a morte de Chávez) gera orfandade e pânico interno e externo de que tudo desabe. Não é bem isto que queremos quando pensamos numa democracia madura, liberal e plural. O problema destes regimes é não só a concentração de poder, gerador de corrupção e com tendência para a arbitrariedade aplicada às oposições, como ainda a total ausência de diversidade económica, o que os condena, para o bem e para o mal, à volatilidade do preço dos recursos energéticos nas praças internacionais. Mais do que de forma quantitativa, uma democracia deve medir-se pela sua qualidade, saúde e fórmulas institucionais de alternância e escape a situações de emergência. Mas vamos ao dia seguinte. Com eleições à vista e bancarrota destapada, Chávez foi senhor de era com altos (PIB, pobreza, desemprego, analfabetismo) e baixos (inflação, dívida externa, corrupção, insegurança). Conquistou espaço e deu autoconfiança coletiva à América Latina, embora não tanta como a emergência do Brasil. Só que o romantismo com que se olha para estas figuras carismáticas tem sempre um preço: quem é solidário na ideologia sente o chão a fugir; quem é solidário por necessidade mostra o cinismo exigido na política internacional. Os primeiros acabam por ser cúmplices da falência dos socialismos, os segundos viverão com a sua consciência. O eleitor decidirá.


Patrocínio
 
3693Visualizações
17Impressões
6Comentários
11Envios
Ferramentas

Enviar por EmailEnviar por EmailPartilharPartilhar
ImprimirImprimir
Aumentar TextoAumentar TextoDiminuir TextoDiminuir Texto

FERRAMENTAS
 
  • Enviar por EmailEnviar
  • PartilharPartilhar
  • ImprimirImprimir
  • Comentar este ArtigoComentar este Artigo
  • Aumentar TextoAumentar Texto
  • Diminuir TextoDiminuir Texto
 
PARTILHAR NOTíCIA
 

Base das Lajes: Hibernação Artificial

por José Filipe Pinto, jofipinto@gmail.com

O DN está aberto à participação dos leitores. Use o email jornalismodecidadao@dn.pt para publicar online os seus artigos, fotos ou videos. Publique os seus SMS usando o número 96 100 200

Ver mais

BERNARDO PIRES DE LIMA

Para lá dos números

por BERNARDO PIRES DE LIMA

 

Já sabíamos que os ministros das Finanças tinham tomado os lugares dos primeiros-ministros na UE, mas isso não significa que tapemos os olhos à política. As eleições gregas foram varridas pela narrativa...


Ver Mais




PUB
NOS ConferênciaPrémioInovaçãoNOS - DN Destaque

Especiais

Recuar
Avançar
PEPE Jornadas Empreendedorismo Turismo - DN Destaque
BT Edições Multimédia
Epaper



PUBLICIDADE

sondagem

Inquérito DN

Deputados e vereadores devem ser impedidos de exercer advocacia?

Sim
Apenas os deputados
Apenas os vereadores
Não
Votar  Ver Resultados



DN

Epaper

Epaper