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VASCO GRAÇA MOURA

A Europa e o Papa

por VASCO GRAÇA MOURA  

No emaranhado de riscos e de imprevisibilidades que actualmente caracterizam a melancólica e periclitante situação europeia, não contam só a estranha evolução da política inglesa, a barafunda estrepitosa em que a Itália mergulhou, as interrogações inquietantes suscitadas pela Espanha, e o mais que poderia acrescentar-se, da Irlanda à Grécia, passando, como está bem de ver, por Portugal e até por Chipre. A uma Europa em crise, a própria sucessão de Bento XVI pode trazer mais perplexidades.

A Europa tornou-se um intrincado novelo de problemas para que muitos não vêem saída. Debate-se numa catadupa de situações dramáticas e traumáticas, nas finanças e na economia, entre o euro e a austeridade, os défices e as regras impostas aos orçamentos nacionais, os falhanços do crescimento sustentado, das políticas de emprego, da competitividade internacional. Há dinâmicas de massas e populismos que já se afiguram alarmantes e podem vir a tornar-se imparáveis, propensões para uma irracionalidade comportamental imediatista, climas de protesto e vociferação que ameaçam atingir um clímax insuspeitado, situações de angústia e de insustentabilidade desesperada de vidas individuais e familiares que se multiplicam vertiginosamente e não se sabe onde é que vão parar.

Mas os problemas europeus são também os relativos a valores de humanidade e a uma tradição civilizacional e cultural esquecida, quando não posta de lado. No quadro desses valores avultam, juntamente com os da herança da Antiguidade grega e latina, os da tradição judeo-cristã, ou, se se preferir, do Cristianismo. Este nasceu na Ásia Menor mas tornou-se uma dimensão inseparável da própria ideia de Europa.

O Cristianismo modelou a Europa e o conjunto dos seus valores identitários. A despeito das cisões e heterodoxias que se produziram no seu âmbito pelos tempos fora, e não obstante a Europa ser um espaço civilizacional e cultural que se tem problematizado e posto sistematicamente em questão, os valores éticos fundamentais propostos pela doutrina cristã foram sendo espiritualmente partilhados no espaço europeu, mesmo quando houve terríveis perseguições religiosas, esmagamentos e pressões insuportavelmente totalitárias, ou quando o sombrio flagelo da guerra incendiou tragicamente o continente.

Dentro do Cristianismo, a Europa católica ocupa um espaço muito vasto, predominantemente coincidente com os países do Sul, é certo, mas incluindo a Polónia e a Irlanda, bem como muitas áreas disseminadas um pouco por toda a parte nos países protestantes.


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