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LEONÍDIO PAULO FERREIRA

Negros de Alfama são estrelas em Princeton

por LEONÍDIO PAULO FERREIRA  

Suspeito que até Barack Obama ficaria de boca aberta se visse o Chafariz d'el Rey no bairro de Alfama, descrito pela Economist como a estrela dos quadros exibidos em Princeton. Para isso bastaria que o Presidente americano desse um pulo à famosa universidade, onde uma exposição mostra até 9 de junho a presença africana na pintura renascentista. Não fica longe de Washington, talvez a 250 km.

Pintado por um holandês em meados do século XVI, o Chafariz d'el Rey mostra uma Lisboa ribeirinha, cheia de gente diversa, com destaque para os escravos negros. Calcula-se que a capital portuguesa contasse nessa época com um décimo de população negra.

Nascido num Havai onde muita gente tem raízes madeirenses e criado numa Indonésia terra de especiarias, Obama tem obrigação de saber que os portugueses foram os pioneiros da globalização. Talvez até lhe tenham contado que foi em Melinde, no Quénia do seu pai, que Vasco da Gama contratou o piloto que o ajudou a chegar em 1498 à Índia. Sempre pode perguntar a Pete Souza ou David Simas, lusodescendentes que trabalham na Casa Branca.

Que os portugueses se espalharam é óbvio. Menos conhecido é que trouxeram o mundo até à Europa, seja por via dos alimentos, como a malagueta ou o chá, seja importando gente. Hugh Thomas dá o exemplo de uma casa em Évora no século XVI em que havia uma dezena de serviçais, desde africanos a índios brasileiros e ainda indianos.

Tanto contacto tem também um lado tenebroso. Na sua história do tráfico negreiro, o autor britânico garante que ninguém vendeu tantos escravos como os portugueses, se bem que o rentável comércio transatlântico tenha envolvido desde ingleses a espanhóis, passando por franceses e até suecos.


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Joel Neto

Para falar dos lugares de onde estas crónicas vêm, acho que terei de falar dos poetas. Dos que cantaram o campo e dos que cantaram este campo: Caeiro e Ramos Rosa, Félix e Marcolino.


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por António Covas, acovas@ualg.pt

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