por BERNARDO PIRES DE LIMA
O primeiro discurso de Obama sobre o "estado da União" foi marcado pela gestão do pânico quando o défice chegou aos 10%. Assim seria todo o mandato: controlar os triplos danos da crise, os provocados pelo sector bancário no mercado da habitação, os que degeneraram em falências e desemprego e os que trouxeram duas prolongadas guerras. Neste início de segundo mandato, o mote altera-se com as circunstâncias. O último ano fiscal pôs o défice nos 5,3%, a economia mantém crescimento sustentável, o desemprego baixou e a guerra do Iraque terminou. Hoje à noite quando discursar no Congresso, Obama apontará baterias para a classe média, deixando espaço para o esforço bipartidário na redução do défice. Ou seja, primeiro a economia, depois as finanças.
E depois? Medidas para a educação, infraestruturas (quantas delas obsoletas), independência energética e potencial industrial (ou, se lhe quisermos chamar, o pânico chinês). Mas será um tom positivo e motivador a percorrer todo o discurso, gerando confiança depois da ação judicial contra a S&P. É um ciclo que se fecha e outro que se quer abrir. É ainda provável que aborde reformas na Defesa, em especial a redução das armas nucleares (do agrado de Chuck Hagel), falando em poupança, sem esquecer que precisa de acompanhamento russo. Será difícil que Moscovo alinhe e que os republicanos não saltem das cadeiras (não para aplaudir).
A segunda parte da noite está reservada para Marco Rubio, o político do momento e o escolhido para a resposta oficial do GOP. Responderá em inglês e espanhol (inédito) e mostrará as incongruências de Obama: aumento brutal do peso do estado; coube a Rubio a iniciativa sobre a prometida reforma da lei de imigração; não há geração de emprego capaz de impor a América no mundo; a retração estratégica só motiva a ascensão de outras potências. É nos vazios de Obama que Rubio pode emergir.
anónimo
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