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BERNARDO PIRES DE LIMA

Kerry & Hagel

por BERNARDO PIRES DE LIMA  

A nova equipa de segurança e política externa de Obama está prestes a oficializar-se. Depois de John Kerry ter sido confirmado pelo Senado, hoje é a vez de Chuck Hagel. E um dos dilemas que os três terão pela frente chama-se Síria. Mas será mesmo um dilema para Washington? A ver pela audição de Kerry e pelas entrevistas mais recentes de Hagel, os EUA vão manter a gestão da crise à distância, "confortáveis" com a paralisação do Conselho de Segurança (Moscovo acaba por arcar com todas as culpas), embora de prevenção sobre três frentes. A primeira, na linha vermelha definida pela administração: se Assad usar armas químicas contra civis o quadro altera-se imediatamente. A segunda, se a Turquia for alvo de ataques (e novo massacre ocorreu há dias lá perto), agora que os Patriot da NATO estão colocados na fronteira com a Síria. A terceira, se Israel antecipar um ataque às muitas movimentações que o Hezbollah tem feito com a ajuda de Assad e de Teerão. Não por acaso, Telavive já colocou duas baterias de escudo antimíssil no Norte de Israel. Ou seja, os EUA e os aliados europeus podem ser empurrados para um cenário por interposta razão. Digo isto porque Kerry e Hagel, embora de partidos diferentes, têm uma conceção próxima e restrita do uso da força. O primeiro, que apoiou os termos americanos da intervenção na Líbia, teme o colapso do Estado, do território sírio, e a posse de armas químicas por grupos terroristas como a Jabhat al-Nusra. Esta, a crescer em recrutamento e em ações, aumentará o ritmo à medida que a oposição, sobretudo sunita, não vir fim à vista no conflito nem uma ajuda militar do exterior. Já Hagel gosta de uma ação americana, digamos, tão restrita como independente, no sentido em que é Washington que determina o tempo e o modo de atuação. Não é por acaso que a crise do Suez e Eisenhower são os exemplos que mais gosta de citar.


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