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BERNARDO PIRES DE LIMA

Fósforo político

por BERNARDO PIRES DE LIMA  

Xanana Gusmão tem toda a legitimidade para formar Governo com quem quiser. Ganhou as eleições, há partidos que garantem maioria parlamentar e as divergências com a Fretilin aparentemente impedem uma grande coligação estável e coerente. Politicamente, há um argumento curioso levantado pelo CNRT para excluir a Fretilin da coligação: a necessidade de existir uma oposição forte no Parlamento, que fiscalize o executivo, previna abusos de poder e sirva o regular processo democrático. Este argumento seria interessante se a tese que lhe dá origem fosse tão pura como a descrevemos. A Fretilin argumenta que não é. E a julgar pela justificação pública dada pelo CNRT para compor a ideia da exclusão do partido de Alkatiri, verificamos que elas se centram num rol de acusações incendiárias sem qualquer espírito construtivo. Ou seja, primeiro infantiliza-se o derrotado dizendo-lhe expressamente qual o lugar que lhe compete ocupar e o papel que deve desempenhar - como se as eleições e a democracia não se encarregassem de os definir naturalmente; segundo, abre-se um clima de hostilidade que mina, à partida, qualquer cooperação institucional. E a grande verdade é que ela é mais necessária hoje do que nunca. Timor-Leste precisa de sair da condição de falhado, ultrapassar anátemas sociais, integrar-se na região, subir patamares diplomáticos, atrair investimento e usar com justiça os recursos naturais. Para isto são imprescindíveis dois ingredientes: segurança e estabilidade política. A primeira não está garantida, a ver pela violência dos últimos dias, e o calendário de retirada da ONU pode (e deve) ser reconsiderado - Portugal tem aqui um papel de sensatez a cumprir no Conselho de Segurança. A segunda, aparentemente conquistada pela maioria parlamentar, não começou bem. A oposição deve ser um posto institucional. E como tal escusa de ser inflamada a gasolina.


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