por ALBERTO GONÇALVES
Na semana passada, a propósito da apreensão de automóveis em represália pelas dívidas ao fisco, brinquei aqui sobre a possibilidade de o Estado invadir habitações particulares para impor a sua lei. Afinal, não é brincadeira. Ao que parece, a Direcção-Geral da Saúde prepara-se para penetrar as casas das famílias com criancinhas a fim de "avaliar o risco" de acidentes domésticos e "sensibilizar" os pais. No papel, a coisa consiste em detectar os lugares onde se guardam medicamentos e detergentes, analisar o nível de protecção de janelas e varandas, inventariar as "medidas tomadas para evitar o risco de afogamento" e procurar papões debaixo da cama. Na prática, a coisa resume-se a um atestado de incompetência à população, decretada inimputável para cuidar de si e dos seus.
É verdade que a DGS, sigla adequada, promete que limitará as vistorias às famílias que as requisitarem. Porém, não sei se é pior tratar as pessoas como retardadas ou acreditar que as pessoas são retardadas a ponto de convocarem as autoridades para as iluminar. Em qualquer das hipóteses, o relevante é a educação, em Cuba, na Coreia do Norte e, aos poucos, nas democracias ocidentais, tornar-se um exclusivo do Estado, que agora aspira a orientar informalmente os petizes que há muito orienta de modo formal. Com óptimos resultados, acrescente-se.
Veja-se, a título de exemplo recentíssimo, os testes intermédios de Matemática. No 9.ºano, a média ficou-se pelos 31,1%. No 4.ºano, onde quase basta somar com os dedos, a média alcançou os 53,9%. Segundo Miguel Abreu, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, 75% dos alunos que transitam para o antigo Ciclo Preparatório estão, talvez de forma irreparável, impreparados para aprender o que quer que seja. Entre os alunos que seguem para o Ensino Secundário, a percentagem de casos perdidos roça os 90%. Décadas de reformas, medidas, apostas, investimentos, desafios mais o lendário Magalhães terminaram nesta demonstração cabal da inépcia do Estado em ensinar os alunos a fazer contas. O que, dadas as contas do próprio Estado, não admira.
O que, num certo sentido, é admirável são as pretensões pedagógicas por parte dos poderes públicos. Sob todos os pontos de vista, o Estado é irresponsável, calão, desonesto, ignorante e - à atenção da DGS - prejudicial à saúde, física ou mental. Mesmo assim, semelhante evidência não lhe modera a vocação correctiva, um apetite por regulamentar tudo o que se mexe e, no que respeita aos detergentes e às varandas, tudo o que não se mexe também. A vontade do Estado em ensinar é directamente proporcional à incapacidade do Estado para aprender, e não há dúvidas de que precisa de uma lição. Os cidadãos é que não precisam das lições do Estado, e aqueles que acham o contrário merecem-nas.
Quarta-feira, 13 de Junho
Anónimo
Berto: sei que não claudicas perante ...
há 328 dias e 13 horas
Damokles
Oh AGzinho, sabias que já vão ...
há 332 dias, 11 horas e 23 minutos
Zé Pacóvio
Provavelmente já venho tarde para ...
há 333 dias, 2 horas e 44 minutos
Carpe Diem
O AG incomoda a esquerdalhada ...
há 334 dias, 15 horas e 44 minutos
aospapeis.blogspot.com
É pena o Beto não se queixa da ...
há 335 dias, 2 horas e 17 minutos
por Carlos A. da Rosa Leal, Lisboa
O DN está aberto à participação dos leitores. Use o email jornalismodecidadao@dn.pt para publicar online os seus artigos, fotos ou videos. Publique os seus SMS usando o número 96 100 200
Nota: Os comentários deste site são publicados sem edição prévia e são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Consulte a Conduta do Utilizador, prevista nos Termos de Uso e Política de Privacidade. O DN reserva-se ao direito de apagar os comentários que não cumpram estas regras. Receber alerta de resposta - será enviado um alerta para o seu e-mail sempre que houver uma resposta ao seu comentário. Aparecer como anónimo - os dados (nome e-mail) são ocultados. Os comentários podem demorar alguns segundos para ficarem disponíveis no site.
Utilizador Registado Utilizador Não Registado
Primitivos com causa
As questões ditas "fracturantes" não me incomodam nada. Incómodas são as criaturas que fazem disso uma forma de vida. Será que não conseguem discutir um assunto sem tentar reduzir os adversários a neandertais...
ALBERTO GONÇALVES
A liberdade sob Cavaco
O que o povo quer
Uma religião de paz
ALBERTO GONÇALVES *
A caminho do Estado "social"
Donzelas e galdérias
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Dinamarca conquista Festival Eurovisão da Canção
O turismo do mar passa pela ciência e inovação
Hospitais terão equipas a ganhar mais para reduzir espera
Automobilista morre em queda de falésia no Algarve
"Tenho bastante apreço pelo trabalho de Santos Pereira"
Política paquistanesa assassinada em Carachi
Novo partido alemão admite saída de Portugal do euro
Jesualdo confirma que já decidiu o seu futuro
O vídeo que motiva o Paços de Ferreira
Com Izmailov e sem Atsu para o ataque ao título
Naval parou jogo frente ao FC Porto B por protesto
CGTP-IN recusa negociar corte de 4%
Hollande promulga lei que permite casamento homossexual
Madoff cobra 40 dólares mensais por limpar computadores
Oposição garante que não permitirá ditadura
Confrontos entre polícia e manifestantes no Cairo
Três novos suicídios registados em fábrica da Foxconn
Quem acredita que vai ser campeão nacional de futebol?
Movimento Híper Saudável
Um estudo de proporções oceânicas no seu jornal
Mas antes, é preciso escolher o Professor do Mês.
Todas as Iniciativas DN