por BERNARDO PIRES DE LIMA
Rússia e UE têm agenda bilateral preenchida. Síria, vistos e relações económicas mostrarão o estado da relação: frio, calculista, tático. A UE quer que Moscovo ajude a cumprir a solução política síria e o moribundo plano Annan. Mas perante a intransigência de Putin será menos evidente que a UE facilite a liberalização de vistos de curta duração, abrindo a circulação empresarial russa ou a emigração, cuja ilegalidade é receio em Bruxelas. Contudo, é mais importante um braço de ferro do que a ausência de diálogo. Parte da Europa é condicionada pela política energética russa e uma grande parte da ação externa russa tem em conta o continente europeu.
Desde o fim da Guerra Fria que Moscovo nutre pelo Ocidente bem mais natofobia que eurofobia. A perceção de ameaça releva a chegada de Washington às suas fronteiras, através dos alargamentos da NATO, sendo a relação com a UE mais equilibrada. O petróleo e o gás são recursos eficazes e têm feito o seu caminho: evitam a unanimidade europeia e arregimentam membros poderosos como Alemanha, Itália ou França. Ou seja, Moscovo tem tentado dividir europeus e afastá-los dos EUA. Putin elevou a fasquia juntando-se a Paris e Berlim na guerra do Iraque; Medvedev até apresentou um "Tratado de Segurança Europeia" para russificar a Europa, procurando fragilizar o seu vínculo atlântico. Até hoje, não o conseguiram.
Este mandato de Putin vai pragmatizar a política europeia da Rússia. Condicionando-a (South Stream está em marcha), mas em equilíbrio com a prioridade asiática. Primeiro, via reforço da União Eurasiática (Bielorrússia, Cazaquistão e demais stans). Segundo, via Organização de Xangai (China e stans) com fornecimento energético e investimentos militares. Neste quadro global a UE é cada vez mais o império do meio. É por isso que deve reforçar o vínculo com Washington e não enfraquecê-lo.
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