por BERNARDO PIRES DE LIMA
Por alturas do escândalo Dominique Strauss-Kahn referi nesta coluna que a liderança do FMI iria passar por uma tremenda competição entre as potências instaladas (EUA e europeus) e as recém chegadas ao grupo dos grandes. A blindagem dos votos dava vantagem às primeiras, mas previa-se uma renhida luta de argumentos públicos e de movimentações nos bastidores de forma a abanar as instituições ocidentais que persistem desde 1945. Em certa medida, essa argumentação chegou a travar-se e o jogo de cadeiras deu-se. Mas a verdade é que ficou aquém das expectativas. A um francês sucedeu uma francesa. Ao poder ocidental numa instituição preponderante como o FMI não se seguiu maior peso das potências emergentes. A pergunta que se coloca é esta: terão assim tanta força política como têm no plano económico?
Pelo exemplo dado na eleição de Christine Lagarde e apoios conquistados a conclusão parece evidente: os BRIC ainda não transformaram poder económico em capacidade para virar politicamente a seu favor o rumo de importantes dossiers internacionais. Dir-me-ão que a eleição do director-geral do FMI não é um exemplo paradigmático de um dossier importante. Eu respondo que é. Pela prioridade geográfica que se atribui aos auxílios financeiros; pela manutenção do poder ocidental; pelo esfriar de um certo determinismo galopante na conquista de poder e espaço políticos pelos BRIC. Como se pode ver pela votação da resolução do Conselho de Segurança que iniciou a intervenção militar na Líbia, todos os BRIC (e a Alemanha) foram incapazes de moldar num sentido inverso as intenções dos membros europeus e norte-americano. A sua abstenção foi um sinal de poder ainda precário e da incapacidade de o projectar decisivamente. Para já o diagnóstico é este. No futuro é bem capaz de vir a ser outro.
por Carlos A. da Rosa Leal, Lisboa
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