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VIRIATO SOROMENHO-MARQUES
opinião

O que devemos a Gorbachev

por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES  

Ao longo do próximo mês, o município de Arcos de Valdevez será o centro de uma homenagem, nacional, mas também mundial, a um dos maiores estadistas de sempre. Com efeito, sem a acção de Mikhail Gorbachev não teria sido possível libertar a humanidade do flagelo de uma guerra nuclear de aniquilação. Ele foi também um dos primeiros líderes mundiais a dar corpo à tese de que só vencendo a crise global do ambiente poderemos consolidar uma paz verdadeira.

Em Março de 1985, quando Mikhail Gorbachev recebeu sobre os seus ombros o fardo de dirigir a URSS, as doutrinas e as armas haviam mudado profundamente. A Leste e a Ocidente, vozes se erguiam afirmando que, afinal, a guerra nuclear poderia ser travada sem atingir um nível de destruição apocalíptico. A Europa Central poderia tornar-se no campo de batalha de uma guerra onde as armas nucleares poderiam ser usadas com um certo grau de "racionalidade estratégica". E elas já estavam colocadas no terreno: os mísseis soviéticos SS-20, ou os Pershing II, e os mísseis de cruzeiro norte-americanos.

A decisão pela paz de Gorbachev, quando a guerra seria a via mais provável, transformou-se numa oportunidade única, não apenas para o seu país e para o sistema internacional, mas para a vida de centenas de milhões de seres humanos cujas existências não foram devoradas nas chamas de um conflitos cruel, e para o resto da humanidade, que estaria condenada a sobreviver num mar de ruínas, sofrimento e barbárie. Afastado do poder, Gorbachev criou a organização de defesa do Ambiente Cruz Verde Internacional, mostrando que a paz só poderá ser mantida se soubermos habitar sabiamente a Terra.

Podemos não o saber, mas todos lhe devemos algo de fundamental nas nossas vidas.


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