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Conjuntura e estrutura

 

Ao debate quinzenal na Assembleia da República faltou o principal. Faltou revelar, afinal, qual a dimensão dos cortes permanentes nas despesas das administrações públicas, que o Governo está a propor à troika, bem como o faseamento da sua concretização. Essa é a medida exata do ajustamento - leia-se, de sacrifício - adicional que o Governo e a troika, à luz dos últimos dados do desempenho económico, consideram aconselhável.

O debate sobre a continuação do rumo seguido não trouxe nada de novo, mas levou o primeiro-ministro a acerar o ataque à pausa na política de austeridade, que o PS preconiza. Para Passos Coelho, só se explica o alongamento dos prazos de reembolso da dívida contraída junto da UE e do FMI através do esforçado cumprimento dos compromissos contraídos junto dos credores, que prestam assistência financeira à República Portuguesa. E, complementarmente, só a continuação das reformas de fundo - que se traduzem na quebra continuada do rendimento real de ativos e reformados - poderá libertar-nos da troika daqui a 15 meses e abrir, de par em par, as portas do financiamento da dívida pública portuguesa, sem precisar das muletas do FEEF, do MEEF ou do FMI.

O chefe do Executivo regozija-se por se ter reduzido 6 pontos percentuais o défice estrutural do Estado e nem sequer se questiona se uma tão grande redução em, apenas, dois anos poderá estar na base do colapso económico e do emprego a que se assiste. Assim, desde que o desequilíbrio estrutural das contas públicas continue a descer - mesmo em contexto de uma recessão mais cavada do que previa... -, o essencial ficará assegurado e, mais cedo ou mais tarde, a economia reagirá positivamente. A divergência com o PS e a oposição, em geral, é tal que Passos Coelho quereria descer o salário mínimo - e nunca subi-lo! -, seguindo o exemplo da Irlanda. Só não o fez por ele estar coladinho ao limiar da pobreza em Portugal.

As duas Américas

América ou Américas? Durante muito tempo o Rio Grande serviu de separação entre uma América do Norte anglo-saxónica e uma América Central e do Sul latina. É evidente que nunca se tratou de dois blocos homogéneos, porque o Canadá conta com gente que fala francês e Belize e Guiana são enclaves em terras de expressão espanhola e portuguesa. Mas hoje em dia, com os hispânicos como primeira minoria nos Estados Unidos, essa separação sobrevive sobretudo no ideário dos líderes latino-americanos, que não deixam de olhar para o Norte como o Império, como esses ianques que veem no Sul o seu pátio das traseiras.


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