por
LICÍNIO LIMA
Bancos aceitam os cheques com os endossos falsos
Gangs organizados estão a atacar as cartas do correio quando suspeitam que no seu interior seguem cheques. Em seguida, depositam-nos com endossos falsos, recorrendo, na maior parte das vezes, a contas abertas por indigentes que dormem na rua, alguns deles estrangeiros, que desaparecem depois de a organização aceder ao dinheiro. Banco de Portugal, Associação Portuguesa de Seguros, o Instituto de Seguros de Portugal e a Polícia Judiciária (PJ) estão em alerta, e os bancos começaram a avisar os clientes para que evitem o envio de cheques pelo correio. As autoridades policiais já receberam milhares de queixas e estimam que este tipo de burla envolva vária associações criminosas. Os CTT, ao DN, recordam que é proibido o envio de valores por carta normal.
Foram vítimas deste crime organizado, entre muitos outros, os proprietários do restaurante O Pinóquio, na Baixa de Lisboa. Em Fevereiro emitiram dois cheques traçados, de 2014 euros e de 1908 euros, à ordem da sociedade comercial Gualter Mariscos. O dinheiro foi sacado, mas a empresa fornecedora reclamava o pagamento. Contactada a entidade bancária, verificou-se que os cheques tinham sido interceptados e depositados noutra entidade bancária, com um endosso falso, e sugestivo: Gualter Mariscos. Não se tratando de um carimbo, seria fácil verificar que se tratava de um nome falso. Mas, mesmo assim, o depósito foi realizado e, dias mais tarde, o dinheiro levantado.
A mesma sociedade comercial emitiu um outro cheque traçado, de 2023 euros, à ordem de uma sociedade de vinhos denominada Vinalda S.A. Teve o mesmo destino, e com um endosso falso também sugestivo: Vinaldo Silva. Ou seja, o funcionário bancário nem reparou que Vinalda era a destinatária do cheque, e quem o endossou foi o Vinaldo.
Aconteceu o mesmo a três cheques, num valor total de 12 mil euros, emitidos por uma empresa de estudos e projectos. Um deles destinava--se a uma empresa denominada Galante. O burlão que o depositou endossou-o com uma assinatura caricata: Agostin Galante da Silva. O funcionário bancário não reparou.
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