por
Manuel Queiroz
jornalista
Desta vez, a China optou pela transparência ao lidar com o terramoto da província de Sichuan. A televisão nacional tem dado extensa cobertura a um desastre que conta dezenas de milhares de mortos, mas também dificilmente podia ser diferente, porque na zona mais atingida há muitos estudantes estrangeiros, muitos quadros em multinacionais. As agências noticiosas do país também publicaram muitas notícias sobre o assunto. Mesmo a China já não pode ser fechada à chave, bem ao contrário do que aconteceu há 32 anos, quando um terramoto não longe de Pequim causou mais de 240 mil mortos, números oficiais, ou mais de 600 mil segundo estimativas feitas na altura por peritos americanos. 1976 foi o ano em que morreu Mao.
Segundo reporta o Times, de Londres, o conhecido comentador Chang Ping, num jornal de Sichuan, escreveu que a onda de rumores e especulações após o desastre "são uma prova de que é necessário mais liberdade de informação na China". Na China tudo se move devagar, mas há sinais de progressos que parecem irreversíveis.
O Beijing News, publicado em mandarim e na capital, dedica toda a primeira página ao terramoto: "Tremor de terra de 7.8 causa ao menos nove mil mortos", com fotos de destruição, mas sem mostrarem cadáveres. O South China Morning News, publicado em Hong Kong e em língua inglesa, deixa algum espaço na primeira página para outras notícias, mas a manchete é do desastre: "Milhares morrem em terramoto." O Wall Street Journal, na sua edição asiática, também dedica o título principal ao caso: "Enorme abalo sacode a China, teste aos líderes" - os Jogos Olímpicos estão à porta e os protestos por causa do Tibete já eram também uma preocupação para a liderança de Hu Jintao.
Há outro lado que impressiona: há relatos de escolas destruídas e, como o abalo foi às 14.28 locais de segunda-feira, haverá muitas crianças mortas. Mas na China só é legalmente possível ter um filho, no máximo dois nalgumas regiões mais rurais. Um sofrimento devastador. |
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