por
João Marcelino (DN)
Paulo Baldaia (TSF)
Entrevista com Almeida Santos, presidente do PS e ex-presidente do Parlamento
No PS, o centro de poder está no secretário-geral. O que faz o presidente? É apenas uma figura decorativa?...É uma figura tutelar. Ainda tem uma função representativa. É uma figura um pouco mitificada, porque tivemos um presidente, o António Macedo, que acompanhou o PS como presidente durante 15 anos ou mais. Depois disso, eu não quis o cargo desde logo. O presidente era apontado pelo secretário-geral como primeiro da lista, e eu disse: "Não, por inerência não; ou sou eleito directamente ou não sou candidato." Nessa altura, o Jorge Sampaio, que era secretário-geral, não pôde aceitar a minha exigência e eu não fui presidente. Mas veio o Guterres, aceitou, e eu fui eleito directamente, e não por inerência, como primeiro de uma lista da Assembleia da Comissão Nacional.
É presidente do PS no poder, mas também já o era na oposição. É inevitável que o partido se coloque à esquerda quando está na oposição e pareça interessado em invadir o centro-direita sempre que chega ao poder?
O problema não é de coerência. Quem está no Governo tem de alinhar pela União Europeia (UE), que já dita 60% das nossas regras económicas. E a UE não está à esquerda. Também não está à direita. Mas a verdade é que a UE não tem uma orientação de esquerda e nós temos de alinhar pela UE.
E isso não obrigaria o PS a mudar o seu programa de partido, a sua matriz?
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