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A nova Ler "não é uma revista de literatura, mas de livros"

por

ISABEL LUCAS  

Dirigida por Francisco José Viegas, está à venda amanhã, dia do livro

Uma entrevista com António Lobo Antunes que promete "chocar" (expressão do director); os 50 escritores mais influentes do século XX; uma visita ao gabinete de trabalho do poeta e tradutor Pedro Tamen ou um ainda inédito de Julio Cortázar... É a nova Ler que, segundo Francisco José Viegas, o também director da antiga Ler, traz pouca continuidade com o passado, mas sem perder a tendência experimental. "Esta não é uma revista de literatura, é uma revista de livros. Está mais próxima das livrarias", esclarece no dia antes do lançamento de uma publicação mensal de 98 páginas com tiragem inicial de 17 mil exemplares, que pretende vender dez mil em banca até ao final do ano, irá custar cinco euros e é editada pela Fundação Círculo de Leitores

E numa revista de livros não entra só literatura. Entram todos os livros. Livros de música, livros de viagem, livros de cozinha. Não há tabus, garante o director, que diz ainda ser capaz de trazer notícias numa revista mensal. Diz isto e ri porque sabe o risco que é ter de esperar uma semana entre a ida para a gráfica e a chegada da revista às bancas sem ser ultrapassado por diários e semanários. Mesmo assim arrisca e arrisca ainda um número de vendas que assume ser um teste num mercado que está em permanente mudança desde há um ano: o mercado editorial. "Se há um ano me dissessem que iria existir um grupo com a concentração que tem o Leya eu não iria acreditar; se me dissessem há um ano que Paulo Teixeira Pinto iria comprar a Guimarães, eu não iria acreditar; se me dissessem que iria aparecer uma livraria como a Byblos, claro que não iria acreditar." São testes, num momento em que, segundo Viegas, é preciso testar. "A poeira esta no ar e demorará a assentar. O quadro final ainda não está desenhado."

Com esta nova Ler, que tem umas pinceladas da francesa Lire, da espanhola Qué Leer ou até mesmo da norte-americana Esquire, Viegas pretende ocupar um lugar de destaque nesse quadro. Com design de Rui Leitão (ex-Grande Reportagem) e uma redacção fixa de apenas dois jornalistas (Francisco José Viegas e João Pombeiro, também, ex-Grande Reportagem, tal como o fotógrafo residente, Pedro Loureiro), a publicação irá viver sobretudo de colaboradores. "Este primeiro número ainda não é indicativo sobre o que irá ser de facto a nova Ler. Ainda há algumas coisas por afinar", vai avisando.


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