por
FRANCISCO ALMEIDA LEITE
TIAGO LOURENÇO
Manuela Ferreira Leite está a ponderar se tem ou não condições para avançar para a liderança do PSD, soube o DN. Para além de José Pedro Aguiar-Branco e de Pedro Passos Coelho, os únicos que se disponibilizaram antes de Menezes se demitir, Ferreira Leite era ontem o nome mais falado nos bastidores do PSD. Depois de ter sido lançada por António Borges na RTP1, quase à mesma hora que Menezes se demitia, a antiga ministra das Finanças começava a receber telefonemas e a conferenciar com alguns dos seus apoiantes mais próximos. Próxima do Presidente da República, de quem foi ministra da Educação, a actual conselheira de Estado é de longe a candidata preferida do cavaquismo.
Mais do que Rui Rio ou qualquer outro, Ferreira Leite consegue estender apoios do cavaquismo e do barrosismo. A rivalizar com este nível de apoios só Marcelo Rebelo de Sousa, que tem estado muito mais apostado num caminho que o leve a ser o sucessor natural de Cavaco Silva em Belém do que em voltar ao PSD. Caso avançasse, Marcelo faria desistir candidatos como Passos Coelho e outros. A grande incógnita chama-se neste momento Pedro Santana Lopes. Com amplos apoios nas bases, ontem o líder parlamentar não quis descartar qualquer hipótese em conversa com o DN. No seu grupo de apoiantes clássicos comentava-se ontem que "não se pense que não avança ninguém deste lado". Só resta saber se do santanismo ou menezismo.
Luís Filipe Menezes apresentou ontem a sua demissão de presidente do PSD, anunciando que não se recandidatará nas eleições directas que convocou para o dia 24 de Maio. Numa declaração num tom dramático e com vários ataques àquela que foi a sua oposição interna, Menezes disse que iria pedir ao Conselho Nacional da próxima semana para oficializar as directas. "Não estou na corrida", garantiu o ainda presidente do PSD na conferência de imprensa que se seguiu a uma reunião muito tensa da Comissão Política Nacional, na sede da São Caetano à Lapa.
Depois de elencar os pontos altos do seu curto mandato de seis meses, Menezes sublinhou que teve de conviver sempre com "um clima de conspiração permanente". Segundo o presidente do PSD, esta direcção social-democrata enfrentou "a maior campanha jamais montada", que chegou a classificar de "violenta e cobarde", o que o levou a tomar a atitude ontem anunciada: "Reconheço que não consegui vencer estas contrariedades e assumo a inteira responsabilidade. Para mim chega e basta".
Apesar de ter garantido que não irá a votos nas eleições directas de 24 de Maio, o facto de ter anunciado uma data tão próxima poderá dificultar a vida aos seus adversários internos. O próprio Menezes, embora tenha dito que só participará no acto eleitoral "como militante de base", deixou margem para que dois dos membros do seu inner circle quase começassem a apelar a uma vaga de fundo: "A minha opinião é que o dr. Luís Filipe Menezes deverá ser candidato. Recebi dezenas de telefonemas e sms nesse sentido", disse Marco António Costa, vice-presidente de Menezes em Gaia. Já Ângelo Correia, presidente do congresso, defendeu que "nos próximos dois ou três dias" podem surgir "manifestações para ele se recandidatar". A ajudar à tese da vitimização, tão cara a Menezes, Ângelo garantiu que o líder "é uma vítima com razão".
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