por
TIAGO SALAZAR, em Orlando (EUA)
Natércia Pintor, jovem empregada do McDonald's de Odivelas, é a vencedora da II Edição do Voices of McDonald's, uma espécie de "Chuva de Estrelas" mundial reservado a empregados talentosos dos restaurantes da cadeia de fast food no mundo inteiro. Os olheiros da indústria discográfica falam numa "égua selvagem que pode ir muito longe". A final decorreu ontem em Orlando, na Flórida, Estados Unidos, e a portuguesa acabou vencedora entre 3500 candidatos seleccionados.
A dada altura, a professora de canto Tamara Anderson explode em adjectivos. Amazing, huge, gourgeous, wonderful, sublime (ou seja, em inglês de Walt Whitman, tudo sinónimos de grandiosa)". Diante dos comentários, Natércia Pintor, a menina tímida de Odivelas, 23 anos, funcionária administrativa do McDonald's há cinco (depois de servir ao balcão), recém-licenciada em Sociologia, cantora de pop-rock nas horas vagas, baixa a cara ao peito e desata em lágrimas. De repente, toda a plateia da sala de ensaios, do namorado Nelson às relações públicas da companhia, chora de emoção.
Tamara Anderson, cantora da Broadway nos seus idos, trabalhou com artistas como Britney Spears ou Robbie Williams e não poupa elogios à "menina Pintór". "Ainda é uma égua selvagem, mas pode ir longe. Vozes grandes há muitas. Vozes grandes e humildes há poucas. E a Natércia é uma delas", garante.
A história que pode dar um conto de fadas e divas é de contornos simples: rapariga de origens humildes, talentosa, esforçada e diligente, um dia rebenta para o mundo. A arte e o artista juntos numa rara conjugação de talento humano e vocal. Quando canta, "é como se fosse outra pessoa", diz Richard Floersch, vice-presidente executivo da McDonald's, no rescaldo de a ver in loco diante de uma mole de 15 mil pessoas. Da rapariga enfiada e difícil de arrancar mais que duas frases seguidas, nasce então um prodígio da extroversão. Voz que segundo o superprodutor Rodney «Darkchild» Jerkins, se for trabalhada pode ir do bel-canto à pop e será "naturalmente um êxito". Segundo Jerkins, "a Natércia é uma força da natureza. Depois, quando vemos um cantor fazer cara feia a cantar é sinal que a voz vem das entranhas. Isso faz toda a diferença". O produtor, letrista, autor premiado com Grammys e fornecedor de nomes como Mary J. Blige, Beyonce, Madonna, Brandy, Jennifer Lopez, Michael Jackson, Whitney Houston, Toni Braxton, Britney Spears, Brandy, Cher, Destiny's Child, N'Sync, Joe and Ray… - presente como membro honorário do júri na Convenção bienal da McDonald's em Orlando - assegura que "o talento está lá todo".
Natércia foi a escolhida na pré-selecção portuguesa de entre um elenco de mais de mil candidatos. Antes de viajar para os EUA trocámos breves palavras e tudo o que lhe ocorria era não querer ficar aquém da «generosidade» dos votantes que a elegeram. |
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