por
LÍLIA BERNARDES, Funchal
HOMEM DE GOUVEIA
O quarto dia da agenda do Presidente da República foi dedicado a alguns concelhos fora do Funchal sob um "sol lindo", ou seja, mais um "dia perfeito e soberbo" para o Presidente da República. Mas quando questionado se o bom clima madeirense correspondia um bom clima político, Cavaco Silva deixou escapar que… "haveremos falar nisso". Uma declaração fugaz em Porto Moniz, pouco antes de partir para São Vicente.
Nos dois concelhos, a maioria PSD não convidou os vereadores da oposição. Por entre os banhos de multidão, as palmas, as flores, as cantorias, o folclore, talvez o Presidente da República não tenha dado por isso, mas João Carlos Gouveia, líder do PS/M, vereador em São Vicente, juntamente com a oposição municipal "proscrita pelo PSD", assistiu à passagem do Chefe de Estado concluindo ser esta "mais uma atitude do partido do poder que ofende o professor Cavaco Silva. No fim, "os assessores do senhor Presidente da República vieram cumprimentar-nos", disse ao DN.
Mas a manhã já tinha arrastado novidades. De outro ângulo. Enquanto Cavaco Silva ouvia explicações sobre a incineração da Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos da Meia Serra, Maria Cavaco Silva cumpria uma agenda pessoal que incluía um encontro na Caritas Diocesa do Funchal. E o tema da pobreza regressou. Só que a primeira dama não acredita nos números do relatório do ISCTE.
Na véspera, Edgar Silva do PCP, na audiência com o Chefe de Estado, entregou cópia do estudo do ISCTE (2005) sobre a territorialização da pobreza em Portugal, cujos níveis na Madeira aparecem muito acima da média nacional, mais de 83 mil pobres e um grau de risco de pobreza monetária na ordem dos 34%. O relatório do ISCTE deu fundamento ao Plano Nacional para a Acção da Inclusão, documento entregue por Portugal junto das instituições comunitárias, o que não invalidou que os dados fossem negados pelo Governo Regional através de comunicado
Solicitada a comentar o cenário traduzido pelo relatório, Maria Cavaco Silva disse "não gostar de números". "Como não falei com o ISCTE não posso responder. Mas honestamente não acredito nisso. Não li o relatório, nem vou lê-lo! As pessoas da Segurança Social que falaram aqui comigo disseram-me que vão entrar em contacto directo com o ISCTE. Mas isso é com elas, não é comigo. Não é a mulher do Presidente que vai ter com o ISCTE pôr os seus números em causa", afirmou.
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