por
RUDOLFO REBÊLO
LEONARDO NEGRÃO
O Governo vai rever em baixa as estimativas para o crescimento da economia e não exclui novas descidas de impostos "algures" no segundo semestre, após a entrada em vigor da descida do IVA de 21% para 20%. Ontem, Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças admitiu que a "instabilidade mundial pode afectar a evolução das exportações" nacionais.
O Executivo, sabe o DN, espera apenas pelos indicadores da economia relativo aos primeiros três meses do ano para rever o crescimento abaixo dos 2,2%, estimados em Outubro do ano passado. Já depois de Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, prever um crescimento entre 1,7% a 1,8% - abaixo da estimativa de 2%, efectuada em Janeiro - e de na semana passada, o FMI pressionar as autoridades ao estimar um crescimento de apenas 1,3%.
As previsões do Fundo são lidas como "um banho de pessimismo". Seja como for, o Executivo, para ganhar credibilidade junto dos agentes económicos é agora forçado a "mexer" nas previsões.
As Finanças já esperavam para este ano um decréscimo da procura externa pelos produtos portugueses, colocando a procura interna - o consumo das famílias e o investimento - como o principal motor da expansão. Mas, a verdade é que as exportações nacionais - de bens e serviços - estão a cair a pique. Em Janeiro, o INE indicava um crescimento real de 1,3% das exportações. Acresce que a desaceleração da actividade nos principais países clientes de Portugal é superior ao previsto.
O caso de Espanha é exemplar. O banco central do país vizinho, reviu em baixa a economia - de 3,1% para 2,4% - e o FMI afirma que a economia crescerá apenas 1,8%. O mercado espanhol é o destino de 28,3% das exportações nacionais e os cálculos da Comissão Europeia "afirmam" que "nuestros hermanos" vão cortar 20% nas compras externas. Outros dados, preocupantes: A UE, destino de 76,7% das vendas do país, deverá cortar cerca de 5% nas importações.
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