por
HELENA TECEDEIRO
Na sua primeira visita aos Estados Unidos desde que foi eleito Papa em 2005, Bento XVI foi recebido pelo Presidente George W. Bush, a sua mulher, Laura, e uma das gémeas do casal, Jena. Foi com um sorriso que Joseph Ratzinger saudou os fiéis que o esperavam na base militar de Andrews, perto de Washington, enquanto descia as escadas do Shepherd 1 (Pastor 1), como os media americanos designaram o avião em que viajou. Segundo chefe da Igreja católica recebido na Casa Branca, Bento XVI segue depois para Nova Iorque onde termina a visita no domingo.
"A Igreja fará todos os possíveis para sarar as feridas provocadas pelos padres pedófilos", garantiu Bento XVI ainda a bordo do Shepherd 1. "Estamos profundamente envergonhados", disse, referindo-se ao escândalo que rebentou em 2002 e deixou muitas dioceses americanas na falência. As indemnizações às mais de cinco mil vítimas custaram à Igreja católica dois mil milhões de dólares.
Antes de iniciar uma visita rodeada de pompa e circunstância, Bento XVI abordou um dos assuntos que os americanos o esperavam ver condenar. "Li relatos das vítimas" e "não consigo perceber como é que padres puderam trair desta forma" as suas obrigações para com os fiéis, disse aos jornalistas que seguiam no avião da Alitalia. Para resolver uma situação que gerou descontentamento dos católicos americanos, o Papa recomendou uma "preparação espiritual, humana e intelectual profunda nos seminários".
Bento XVI mostrou-se ainda "feliz" por se voltar a encontrar com Bush, que no Verão esteve no Vaticano. Antes da chegada de Ratzinger, a Casa Branca dissera esperar um diálogo "sincero" entre Bush e o Papa, garantindo que as posições comuns entre os dois homens (sobre o aborto ou eutanásia) se irão sobrepor às divergências (por exemplo, sobre o Iraque, que Bento XVI condenou). A porta-voz da Casa Branca garantiu que Bush não irá tentar convencer o Papa de que está certo sobre o Iraque. Durante um encontro na Sala Oval, os dois homens deverão centrar as atenções nos direitos humanos, alterações climáticas, luta contra o terrorismo e ajuda a África.
Para receber o líder dos mil milhões de católicos, Bush decidiu caprichar. Convidou mais de dez mil pessoas para o saudar hoje na Casa Branca (um número superior ao que assistiu ao recente discurso da Rainha Isabel II de Inglaterra no mesmo local). No dia em que comemora 81 anos, Bento XVI será homenageado num jantar na residência oficial do Presidente. A refeição, composta por pratos da Baviera natal de Ratzinger, será, contudo, saboreada na sua ausência. O Papa estará nesse momento num encontro com bispos.
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