Alberto João Jardim recebe hoje Cavaco Silva na Madeira. E, segundo os serviços da Presidência, o Chefe do Estado até tem intenção de elogiar a obra do Governo Regional, nos últimos anos. Este fim-de-semana, Jardim preparou bem esta visita. À sua maneira arruaceira, da seguinte forma: dizendo que achava bem não haver uma sessão solene na Assembleia Regional porque, e citamos, assim se mostraria "o bando de loucos" que era melhor o Presidente não conhecer. E fez referências concretas ao "fascista do PND", "ao padre Egdar [do PCP]" e "àqueles tipos do PS".
Ou seja, Cavaco Silva vai aterrar na ilha no meio de mais uma polémica. E mesmo que queira seguir o seu plano de elogiar Jardim, esses seus elogios poderão ser alvo de interpretações desconfortáveis para o Presidente.
Porque, além de serem deselegantes, as frases de João Jardim são pouco cívicas. Mostram pouco respeito pela democracia e pelas instituições. E até parecem ser um desmentido formal dos elogios que Jaime Gama já lhe fez nesta matéria.
Esses deputados a quem ele chama de "loucos" - e havia uma enorme gradação de injúrias até chegar ao radicalismo desta - foram eleitos pelo povo. Por cidadãos da Madeira. Jardim mostra esta falta de respeito pelo eleitorado e pelas instituições quando se prepara para receber o seu maior guardião, o Presidente da República.
A prudência aconselha a guardar os vaticínios quanto ao desfecho das eleições legislativas em Itália para a tarde de hoje. O palpite informado dá como provável um empate mais do que técnico, político. Na câmara baixa legislativa, pela terceira vez, Berlusconi disporá de maioria, no Senado, provavelmente não. Eis, numa fórmula simples, a imagem de impasse que a Itália projecta: o repetido retorno de um líder populista e mau governante a actuar num quadro institucional que ata de pés e mãos cada nova maioria política que sai das urnas.
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