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Novo encontro entre o fado e a pop servido por uma Naifa afiada

por

DAVIDE PINHEIRO  

'Uma Inocente Inclinação para o Mal' é editado pela Lisboa Records

Se no princípio, A Naifa era uma folha em branco, hoje já não será bem assim. Luís Varatojo, antigo guitarrista e vocalista de Peste & Sida e Despe & Siga, e que agora é um dos compositores deste colectivo que cruza fado com pop, lembra que "no princípio não sabia um único acorde na guitarra portuguesa", ele que estava habituado a amplificadores e pedais de distorção.

Desde a estreia em disco, já passaram quatro anos o que faz toda a diferença "porque há toda uma experiência adquirida no passado". Em 2008, A Naifa alterou os seus métodos de trabalho para um terceiro conjunto de canções a que foi dado o provocador título de Uma Inocente Inclinação para o Mal. "Desta vez, só uma pessoa é que escreveu. Recebemos as letras e só depois fizemos a música", explica. Fala-se concretamente de Maria Rodrigues Teixeira, poetisa sem obra feita nem em livro nem em blogue, que conheceu a banda no final de um concerto e propôs escrever "um ou dois poemas". Três meses depois, chegava um bloco cheio de pequenos textos que acabaram por funcionar como a base lírica para o disco. "Não somos crentes mas a Maria Rodrigues Teixeira caiu do céu", explicou o músico antes de concluir que a surpresa foi ainda maior "por não ter nada publicado".

Se olharmos ao passado de Luís Varatojo e de João Aguardela (baixista de A Naifa), há uma ligação íntima com a música moderna portuguesa sob uma atitude quase sempre punk. Varatojo, um sobrevivente da geração do Rock Rendez-Vous, é da opinião que "a atitude d'A Naifa é muito semelhante à dos Despe & Siga e Sitiados" e garante até que a química entre os quatro elementos é semelhante à que viveu nos "primeiros dias de carreira com os Peste & Sida". E porquê? "Quase não precisamos de ensaiar". O momento saudável tem repercussão imediata num público "sedento de ouvir música realmente portuguesa". Corresponderá então A Naifa a um modelo de inovação? "Procuramos sempre oferecer coisas diferentes. Também sou ouvinte e é isso que procuro quando oiço música. Se as canções são muito previsíveis, acabo por desistir", assume.

Passemos então à polémica. Os Peste & Sida regressaram em 2004, motivados pela insatisfação do baixista João San-Payo perante a maneira como, nas suas palavras, Luís Varatojo escolheu o alinhamento do colectânea A Verdadeira História, editada em 2002. A resposta é esclarecedora: "Este regresso era evitável. Não conheço nenhuma banda que não tenha voltado sem a sua formação original e tenha mantido o mesmo espírito. Seria como os Clash voltarem sem o Joe Strummer", diz sem qualquer espécie de raiva nas palavras. "Se as letras se dirigem a mim, só posso ficar contente por haver quem se preocupe comigo".


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