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ABEL COELHO DE MORAIS
China insiste na "despolitização" dos Jogos
O clima de tensão e conflito vivido nas cidades por onde tem passado a tocha olímpica, transferiu-se ontem para a reunião do Comité Olímpico Internacional a decorrer em Pequim, com uma troca de palavras duras entre o presidente do COI, Jacques Rogge, e a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Jiang Yu.
A divergência pública entre o COI e o Governo de Pequim constituiu o mais recente golpe na estratégia chinesa de manter dissociados os Jogos de questões delicadas para o regime, como o Tibete ou o problema dos direitos humanos no país.
Ao sucedido na capital chinesa veio somar-se a aprovação no Parlamento Europeu ontem por esmagadora maioria de uma resolução em que defende a necessidade de uma posição comum dos 27 Estados membros sobre "a opção da ausência" à cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, caso a China "não inicie o diálogo directo" com o líder tibetano no exílio, o Dalai Lama.
O presidente do COI, Jacques Rogge, não se coibiu de recordar os compromissos assumidos por Pequim em matéria de direitos humanos quando a sua candidatura foi escolhida em 2001 para organizar os Jogos deste Verão. "Pedimos claramente à China que respeite esse compromisso moral", disse Rogge. O dirigente olímpico insistiu ainda que "a liberdade de expressão é algo absoluta, é um dos direitos do homem, que, por isso, é também dos atletas", admitindo, por outro lado, que poderiam vigorar "pequenas restrições" nesta matéria para impedir a politização dos Jogos.
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