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Vara diz que hoje voltaria a apoiar Fátima Felgueiras

por

ALFREDO TEIXEIRA  

Autarcas socialistas testemunharam na defesa da autarca

"Ainda hoje acho que fiz aquilo que pareceu certo", afirmou ontem Armando Vara, antigo dirigente do Partido Socialista que apoiou a candidatura de Fátima Felgueiras à câmara em 2001, ano em que foi coordenador das eleições autárquicas.

Em tribunal, em mais uma sessão do julgamento do "saco azul", Armando Vara recordou que, na altura, eram já conhecidas as denúncias relativas às alegadas irregularidades na autarquia de Felgueiras mas a presidente tinha "um capital de confiança pelo trabalho que vinha desenvolvendo e que não poderia ser posto em causa". Depois, Felgueiras não era caso único uma vez que "haviam mais situações como esta de intriga local" quanto a nomes de candidatos.

A verdade é que, segundo Vara, apesar dos indícios relativamente à gestão da autarca, não cabia ao PS tomar uma decisão. "Para julgar estão os tribunais, não os partidos políticos", afirmou em tribunal. Para a decisão de recandidatar Fátima Felgueiras, confessou o antigo dirigente, "contribuiu a forma como ela estava a desenvolver o trabalho e não as questões de guerra política local".

Das denúncias anónimas nunca teve conhecimento nem nenhuma carta lhe foi enviada. Do "conflito em Felgueiras" soube pelos jornais, ainda antes das autárquicas de 2001. Vara relembrou que, antes das eleições de 2001, as primeiras realizadas já com um quadro legal relativo ao financiamento dos partidos, existia "uma organização bem desorganizada". No entanto, era do conhecimento geral que os candidatos não se deviam envolver em campanhas de fundos, tarefa que cabia ao secretariado e à comissão de candidatura. Para além de angariar apoios financeiros o secretário preparava os contactos com a comunicação social, as entrevistas a dar pelos candidatos, as visitas ou os debates. Os cabeças de lista têm, como salientou em tribunal Raul Brito, antigo vereador da Câmara do Porto e ex-vice governador civil do distrito, "uma posição apenas política". É também da responsabilidade do secretário gerir as contas, sendo este modelo "mais ou menos idêntico em todas as concelhias".


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