por
ANA TOMÁS RIBEIRO
Na sexta-feira passada, num hotel de Lisboa, o presidente executivo da EDP, António Mexia, fez uma pré- -apresentação a analistas de mercado sobre a operação de dispersão inicial (IPO) da EDP Renováveis em bolsa. Um projecto que poderá realizar-se já no início de Junho, caso as condições de mercado o permitam. Mas se não for oportuno, a eléctrica portuguesa tem um plano B, que passa pela venda directa a um ou dois investidores de uma parcela da empresa. O DN apurou que um destes investidores pode ser um grupo do Médio Oriente, com quem a eléctrica tem mantido contactos e que poderá vir a ser parceiro da EDP Renováveis. A mesma fonte não quis, contudo, adiantar mais pormenores sobre as negociações, nem sobre o nome do grupo em questão, apenas assegurando que as conversações têm corrido bem. Contactada pelo DN, fonte oficial da EDP disse apenas que não comentava o assunto.
Para já, a primeira prioridade da eléctrica é realizar o IPO da empresa de renováveis. E sobre esta operação o administrador financeiro da eléctrica, Nuno Alves, em entrevista à Reuters, defendeu que, apesar das condições de mercado ainda não serem as ideais, "já são melhores do que há duas semanas". Por isso, manifesta-se optimista quanto à sua realização até ao Verão. Mas sublinhou que a decisão de avançar ou não com a operação de dispersão de 20% ou 25%, através de um aumento de capital da EDP Renováveis, só será decidida em Maio.
Caso o mercado, nessa altura, estivesse "numa situação péssima que levasse a cancelar o IPO, a EDP teria alternativas". Uma delas "era arranjar um ou dois investidores para colocar uma parte da EDP Renováveis, 5% a 10%, em cada", afirmou o gestor. Isto porque um investidor de longo prazo sabe avaliar os activos em questão e poderia dar sempre um preço mais justo, explicou.
O encaixe da operação em bolsa serviria para a EDP Renováveis pagar à EDP dívidas relativas a empréstimos e para financiar o crescimento da empresa, que tem pela frente um ambicioso plano de investimentos, nomeadamente na energia eólica, não só em Portugal mas nos restantes países da Europa, onde já entrou, e nos Estados Unidos (ver caixa ao lado) e onde tem uma carteira de projectos para desenvolver.
Só em 2007, a EDP adquiriu 100% da Horizon, empresa líder no desenvolvimento, gestão e operação de parques eólicos no mercado norte- -americano, com mais de 3800 MW (megawatts) brutos de capacidade de produção em operação no final do ano passado e com um pipeline de projectos em 15 estados, com uma capacidade de produção total de 9000 MW. Ainda durante o ano passado, a EDP adquiriu na Polónia 100% da Relax Wind Parks.
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