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Testemunhos de árbitros graves para o Boavista

por

ALEXANDRA TAVARES-TELES E FILOMENA MARTINS  

É sobre o Boavista que pendem as acusações mais graves de coacção sobre árbitros e é o clube axadrezado que corre mais sérios riscos de descida de divisão. O clube assumiu ontem que foi notificado em três processos pela Comissão Disciplinar da Liga, todos arquivados pelos tribunais civis, um deles já sob o comando da equipa especial nomeada pelo PGR e liderada por Maria José Morgado. Apesar disso, a Comissão Disciplinar da Liga considerou existir matéria para procedimento disciplinar. Baseando-se em novos testemunhos recolhidos ao longo de um ano de inquirições junto de árbitros, dirigentes e observadores, que são graves para os axadrezados e que não existem nos processos que correram nos tribunais comuns.

Apesar de o clube dizer que a hipótese de descida de divisão não se coloca, não especificou nunca o teor das acusações das quais o departamento jurídico do clube já tinha conhecimento antes das notificações de ontem.

Mas, sabe o DN, tratam-se de três jogos que acabaram com uma derrota e dois empates, todos em 2004. Benfica-Boavista, apitado por Elmano Santos que acabou com uma derrota boavisteira(3-2); Boavista-Académica, apitado por Jorge Sousa, com o resultado final de 0-0; e Belenenses-Boavista, apitado por Bruno Paixão, que acabou com um empate a um golo.

O Boavista é acusado de coacção, directa ou indirecta, por parte de um dos seus dirigentes, sócios ou funcionários, o que de acordo com os pontos 4 do artº 54 e o ponto 1 do artº 51 vale a descida de divisão.

Joaquim Teixeira, presidente do Boavista, e Álvaro Braga Júnior, presidente da SAD respectiva, estiveram ontem reunidos com o departamento jurídico depois de João Loureiro se ter colocado à disposição dos responsáveis do clube, em telefonema feito para o actual responsável da SAD, para colaborar na defesa. A posição do clube será oficialmente conhecida hoje (em comunicado ou conferência de Imprensa) e vai apontar para o facto de nas notas de culpa recebidas estarem incluídas escutas, o que, defendem, não é permitido pelos órgãos disciplinares desportivos. Além do facto de os processos em causa terem sido arquivados pela justiça civil - um deles já pela equipa de Maria José Morgado. Mas mais. De acordo com fontes do clube, o departamento jurídico vai também alegar que só se estaria perante um quadro de coacção caso as alegadas pressões sobre os árbitros tivessem sido feitas já no dia do jogo e não nos dias anteriores.


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