por
AMADEU ARAÚJO e FRANCISCO ALMEIDA LEITE
António Borges garante que perdeu contratos
O ministro da Economia considera que as declarações de António Borges, que em entrevista ontem ao jornal Público afirmava que se sentia profissionalmente penalizado pelo Governo por desenvolver uma actividade partidária, "são uma atitude peculiar de um banqueiro, normalmente pessoas reservadas, que passados três anos se sente frustrado porque não conseguiu um negócio".
Na entrevista, o social-democrata e vice-presidente mundial do banco de investimento Goldman Sachs acusou Manuel Pinho de "logo após o congresso do PSD", em que o economista se mostrou disponível para ajudar o partido na oposição, o ter chamado para uma reunião onde lhe comunicou que "todos os contratos com a Goldman Sachs estavam cancelados".
Segundo o social-democrata, o ministro terá exigido uma retractação pública "caso contrário nunca mais haveria trabalho para a Goldman. E de facto não houve". António Borges sustentou ainda as retaliações governamentais com a posição que tomou sobre a alteração na presidência da EDP "uma empresa que conhecia bem". Posição que levou ontem o ministro da Economia a considerar que a entrevista de Borges "faz parte da luta interna do PSD" porque "aquele banco nunca foi contratado por mim como consultor para resolver questões sobre o sector da energia que são competência do governo e que em 2005 estavam bastante complicadas mas apenas precisavam de coragem política".
Pinho assegurou que "todos os banqueiros pedem reuniões com o ministro para vender os seus serviços mas sinceramente não me lembro de ter falado com António Borges após o congresso social-democrata de 2005". O ministro negou também que alguma vez tenha exigido um pedido de desculpas a António Borges sobre as acusações que este fez sobre a EDP.
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