por
LUÍS NAVES
A cada 20 segundos, morre uma criança com alguma doença relacionada com a falta de água potável. Isto origina um holocausto anual de 1,5 milhões de vidas. Mais de mil milhões de pessoas têm dificuldades de acesso a água segura e 2,6 mil milhões não dispõem de instalações sanitárias. A ONU, que celebrou ontem o Dia Mundial da Água, quer reduzir o número de pessoas nesta situação para metade, até 2015.
Este objectivo é uma verdadeira corrida contra o tempo e será difícil de alcançar: de um lado, estão as alterações climáticas ou os problemas económicos; do outro lado, avanços tecnológicos e novas técnicas de gestão. A água é um bem escasso e a ciência conhece esse facto há muito tempo, mas as crescentes necessidades estão a colocar outra pergunta: até que ponto existe uma crise mundial no acesso à água potável?
Em várias regiões do planeta acumulam-se indícios de faltas de água crónicas. No Médio Oriente, por exemplo, a crescente escassez está a preocupar os decisores políticos e pode vir a ser motivo de novos conflitos. Israel é um exemplo: o país atravessa uma seca há uma década e a sua agricultura usa proporção considerada excessiva da água disponível. Com os aquíferos debilitados e as unidades de dessalinização a um terço do necessário, o Governo foi forçado a reduzir para metade a água agrícola e aposta na reciclagem.
Partes de África estão em situação complicada. O lago Chade abastece 30 milhões de pessoas mas, no espaço de uma geração, encolheu para um décimo do tamanho original, o que é visível em imagens de satélite.
Um estudo agora publicado na revista Nature aponta para soluções práticas na crise de água no planeta. A potável equivale a 3% da que existe na Terra; dois terços dessa água segura encontram-se em glaciares que o aquecimento global está a destruir; a de superfície equivale a menos de 1% da potável, ou 0,03% do total; e só 2% destes 0,03% estão em rios.
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