por
Helder Robalo
jornalista
O jeito para o negócio está-lhe entranhado no corpo desde pequenino. Aos quatro já ia ao pomar do avô, que existia ao lado das instalações da fábrica Inarbel, e "apanhava as pêras e as maçãs do chão para vendê-las à beira da estrada". Quem o conta é José Armindo, administrador da Inarbel, sedeada em Vila Boa de Quides, concelho do Marco de Canaveses.
Quem gosta muito de futebol lembra-se provavelmente de José Armindo. Jogou no Boavista, vestiu a camisola do Penafiel e passou ainda pelo Campomaiorense e Leça, entre outros clubes portugueses. O ponto alto da carreira de futebolista profissional foi atingido com uma passagem pelo clube britânico Bolton, há 11 anos. Mas foi sem grande dificuldade que, aos 26 anos, trocou a carreira de futebolista profissional pela de empresário do sector têxtil. "Vi a empresa crescer e acompanhei sempre de perto tudo o que se passava aqui [na empresa]", conta, garantindo que mesmo em Inglaterra "conhecia todos os pormenores da Inarbel", uma empresa de cariz familiar fundada pelos pais em 1984. "Os meus pais vendiam nas feiras e, nesse ano, decidiram fundar a empresa", diz José Armindo.
Quando regressa a Portugal, com quase 27 anos e a devida autorização dos pais, decide participar mais activamente na vida da Inarbel. "Fiz uma auditoria à empresa e, dez meses depois, apresentei as conclusões à família, focando os pontos forte e fracos. E apontei o que acreditava que devia ser feito", relembra. Apesar muitos trabalhadores questionarem a competência do "garoto" de 26 anos, José Armindo não desistiu e aplicou na Inarbel alguns dos princípios-base do futebol. Tal como no relvado, garante que numa empresa "temos de ser competitivos, profissionais e cumprir horários".
As decisões tomadas, conta o empresário, foram duras e causaram alguma celeuma entre muitos dos trabalhadores e a própria família. Até porque chegou a ter de "cortar" relações profissionais com um familiar, que era fornecedor da Inarbel. Mas, também aí, "as pessoas perceberam que isto era a sério e que era para melhorar".
A empresa foi crescendo, sustentadamente, com José Armindo a apostar na inovação, da melhoria dos processos de fabrico e na modernização da maquinaria. De olhos postos no futuro e na competitividade de um mercado cada vez mais global, decidiu investir ainda mais na empresa. "Criei uma estratégia para fazer frente à invasão do Leste europeu, primeiro, e dos mercados asiáticos, depois", explica o administrador.
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