A desconfiança dos cidadãos na Justiça é alimentada pelo acumular de pequenos episódios como o ocorrido este fim--de-semana com o taxista do Porto, motorista profissional há 20 anos, que ao início da noite foi posto em liberdade, com a carta de condução na carteira, apesar de algumas horas antes se ter posto em fuga após ter atropelado quatro crianças na passadeira.
Esta história é triste vista de qualquer ângulo.
Há duas crianças no hospital, uma das quais entre a vida e a morte e com a sua identidade devassada - um canal de televisão não se inibiu de mostrar, sem qualquer pudor, uma fotografia dela contorcendo-se no chão da passadeira.
Há um taxista em liberdade, depois de ter passado na esquadra da PSP de Campanhã a cumprir as formalidades: foi identificado, pagou uma multa de 500 euros e submeteu-se a um teste da alcoolemia, tendo ainda a sua privacidade respeitada pela Comunicação Social, que não revelou a sua identidade.
Não há dúvida de que a lei foi cumprida. Mas não podemos deixar de nos interrogar sobre que justiça é esta em que o motorista que atropelou na véspera quatro crianças na passadeira pode andar, no dia a seguir, ao volante do seu carro de praça.
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