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Professores dispensam "mediadores" no conflito com ministra

por

PEDRO SOUSA TAVARES e SUSETE FRANCISCO  

Uma delegação da Plataforma Sindical dos Professores, que agrega a generalidade das estruturas do sector, será recebida esta tarde na Presidência da República por Suzana Toscano, a assessora de Cavaco Silva para questões educativas. Mas os sindicalistas esclarecem que não estão à espera de encontrar no Chefe de Estado um mediador para o conflito que os opõe ao Ministério da Educação. Até porque consideram não precisar de intermediários na negociação.

"Iremos à Presidência da República apresentar as preocupações que temos e dar conta da situação actual de instabilidade nas escolas", disse ao DN Mário Nogueira, secretário -geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof). "Mas não precisamos de mediadores", acrescentou. "Isso faria sentido se o conflito fosse entre o Ministério da Educação e os sindicatos, como o Ministério chegou a dizer. Mas creio que, depois da manifestação de 8 de Março, ninguém duvida que o conflito é entre o Ministério e os professores. E os sindicatos são os seus representantes naturais".

O líder sindical reconheceu, no entanto, que Cavaco Silva, que tem apelado à "serenidade" neste diferendo, poderá ter um contributo a dar: "Se alguém poderá, de facto, ter um papel interventivo nesta questão é o Presidente da República, tal como a Assembleia da República e o primeiro-ministro, a quem também pedimos uma audiência, mas que nunca nos respondeu", contou. "Mas não será um papel de mediação", repetiu, "mas um papel interventivo, atento".

Por isso mesmo , o facto de Cavaco Silva (que se encontra de férias em Moçambique) ter delegado em Suzana Toscano -secretária de Estado da Administração Pública no Governo de Durão Barroso - o papel de "ouvinte" dos sindicatos também não incomodou Mário Nogueira: "É natural que, num momento de grande conflito, o senhor Presidente queira ter mais informações sobre o que se está a passar", considerou. "E é também natural que não queira ter posicionamentos que possam ter a leitura de estar a apoiar um lado ou o outro".

"Só queremos ser ouvidos"


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