por
Fernanda Câncio
jornalista
fernanda.m.cancio@dn.pt
Pergunta: "Escreve num jornal onde há uma cruzada declarada contra José Sócrates?" Resposta: "Sim, com que eu na maioria dos casos estou de acordo." As frases entre aspas fazem parte de uma entrevista a José Pacheco Pereira conduzida por João Céu e Silva e publicada esta semana no DN.
O entrevistado escreve e opina em muitos meios - e sobre um deles, o seu blogue Abrupto, diz na mesma entrevista que lhe dá "mais poder" que "uma secretaria de Estado" - mas o único jornal da sua carteira pessoal de intervenções é o diário Público. Assim, ficamos a saber que Pacheco Pereira não só admite existir "uma cruzada declarada contra José Sócrates" por parte do Público, como está "na maioria dos casos de acordo".
Este, não haja confusões, é o mesmo Pacheco Pereira que escreveu uma inteira e indignada coluna no mesmíssimo Público sobre a forma como a sua candidata à liderança do PSD, Manuela Ferreira Leite, foi enquadrada na entrevista que deu a Judite de Sousa na RTP, sustentando a tese de que ela, ao contrário do que se passou com os outros candidatos, fora sempre filmada em grande plano com o intuito de, subliminarmente, lhe causar dano (para mostrar a idade, as rugas, etc.). É o mesmo Pacheco Pereira que dia sim dia sim se insurge contra "a governamentalização da RTP", o mesmo Pacheco Pereira que está sempre vigilante em relação a qualquer coisa que possa parecer-lhe, em qualquer meio de comunicação social, favorável ao Governo em funções - ou não suficientemente desfavorável? - e que quando o Público lançou dúvidas sobre o currículo académico do primeiro- -ministro vergastou os órgãos de comunicação social que não seguiram logo "a pista" (ou seja, na linguagem de Pacheco Pereira, "a cruzada").
O mesmo Pacheco Pereira que, comentador na SIC Notícias, colunista na Sábado e no Público e de um modo geral ouvido por tudo e todos sobre todos e tudo, fala de "silenciamento das opiniões contrárias", insinuando a existência de uma conspiração para calar os que, como ele, "não se calam", o mesmo Pacheco Pereira que quando o seu blogue foi alvo do ataque de um hacker divisava já no facto uma perseguição política. O mesmo Pacheco Pereira que passa a vida a arremeter contra "o jornalismo de causas" que, não se cansa de repetir, "não é jornalismo". É este Pacheco Pereira, o impoluto defensor do jornalismo "imparcial" e "objectivo", que afinal alinha em "cruzadas declaradas" por jornais - e, fazendo-lhe a justiça de não o considerar néscio nem sequer distraído, não se coloca a hipótese de ele ignorar que "cruzada" equivale, em qualquer dicionário, a guerra santa, assim a modos que o contrário de imparcialidade e busca da verdade.
Parece no entanto que a afirmação passou sem grandes comentários ou ondas. No Público, não houve, até ver, desmentidos nem respostas àquele que foi, muito recentemente, seu director por um dia. O Conselho de Redacção do jornal não reagiu nem se ouviram pedidos de apreciação/intervenção por parte da Entidade Reguladora. Deve ser pois pacífico: o Público, cujo director não se coíbe de escrever sobre as "agendas políticas" de outros jornalistas e ministrar pretensas lições de deontologia, faz cruzadas declaradas contra pessoas. E um dos intelectuais mais reputados do regime, o tal que abjura "o jornalismo de causas", aprova. Peço que me perdoem, mas a falta de vergonha às vezes ainda me espanta. Coisas de jornalista.
1500 polícias desistem da farda em três anos
Cinco agências de publicidade na corrida à Galp
Ritmo de reformas na CGA está a abrandar
2011 foi o segundo melhor ano para sapatos portugueses
"Somos portugueses, mas não somos baratinhos"
O homem que recusou saudar os nazis
Príncipe Harry coroado "Top Gun"
Souza no Grémio é desilusão para os adeptos do Vasco
Senhorio obrigado a realojar em caso de obras
Mulher obrigava mãe de 77 anos a viver fechada na garagem
Vila do Conde: Câmara dá tolerância aos funcionários no Carnaval
Santana para Rosas: "Salazar é a sua tia!"
80 mil abortos 'por opção' desde 2007, 13 mil reincidentes
Gestores da TAP, RTP e CGD escapam a tetos salariais
Schulz justifica-se em português no Twitter
Ahmadinejad convida Bento XVI a visitar o Irão
Se Passos não vem à AR "alguma coisa quer esconder"
Ajustamento do plano de ajuda financeira a Portugal é inevitável?
Feira do Livro
Guia Indispensável do Emprego
O número de leitores do DN aumentou 27%
Todas as Iniciativas DN