por
Ferreira Fernandes
Os futebolistas são como os canalizadores e os notários: fazem pela vidinha. Sepp Blatter, da FIFA, saiu em defesa deles, atacando a escravatura moderna, tal como Bob Geldof defende a floresta. Mas se ainda não se inventou o antídoto para a motosserra, para os clubes esclavagistas já há arma: os contratos. Moutinho assinou um com o Sporting. Aquele acto fê-lo Spartacus de si próprio, libertou-o, tornou-o igual ao presidente do Sporting. Deu-lhe também (é a chatice dos contratos) obrigações. Agora se Moutinho se quer ir embora, não pode; ele não é ele, ele é o que três quiserem: ele, a outra parte e o contrato. Esta história libertou-me também. Eu tinha por Moutinho uma condescendência maior do que por outros jogadores médios. Deixei de ter. Obrigado, Moutinho (o actual) por me ter libertado da falsa ingenuidade onde Moutinho (o do amor à camisola) me tinha mergulhado. O amor à camisola é como os outros amores, tem prazo (como os depósitos bancários).
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