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ALEXANDRA CARREIRA, Bruxelas
Suíça. Reunião começa hoje em Genebra e termina no próximo sábado
Começa hoje, em Genebra, na Suíça, a maratona negocial da Ronda de Doha, sob a égide da Organização Mundial do Comércio (OMC), para a liberalização das trocas a nível mundial. A oportunidade é a derradeira, já que se não for alcançado um acordo entre os países desenvolvidos e as economias emergentes até ao final do mês, as eleições americanas, no final do ano, poderão acabar por bloquear o processo ao nível político. O encontro deverá prolongar-se até ao próximo sábado.
As negociações de Doha contam já com sete anos em que não foi possível encontrar pontos de equilíbrio entre as concessões feitas pelas economias desenvolvidas e as emergentes, como a China, o Brasil ou a Índia. De um lado, os desenvolvidos prometem abolir os incentivos à produção, para evitar distorções na concorrência mundial e, do outro, os emergentes e os países subdesenvolvidos deverão apagar as barreiras à entrada de serviços e produtos não agrícolas do mundo industrializado. São vários os contenciosos em aberto. Peter Mandelson, comissário da UE nas negociações adverte que o bloco já fez concessões generosas e suficientes, mas Susan Schwab, responsável pelo comércio externo dos EUA, deverá reafirmar que só irá adiante com o corte nos incentivos à produção agrícola se as economias emergentes fizerem o mesmo. A crise alimentar mundial veio, apesar disso, promover o sentimento proteccionista nalgumas das economias emergentes e, poderá, adiantam os analistas, ter um efeito perverso na procura de consensos. Além disso, os mesmos analistas explicam que a crise que teve origem no crédito imobiliário nos EUA vem também ensombrar as negociações e a possibilidade de chegar a um acordo.
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