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ISADORA ATAÍDE (Texto) RODRIGO CABRITA (Foto)
Trabalho. São mais de cinco mil os funcionários do comércio existente no mais simbólico centro comercial do País. Trabalham por turnos, recebem no máximo 500 euros por mês, têm pouco tempo para estudar e acabam por fazer do Colombo a sua casa. Passam lá o dia, fazem lá todas as compras. Uma relação de dependência e de 'amor-ódio'
Funcionário recebe entre SMN e 500 euros
São dez horas da noite de domingo. Rita, Manuela, Inês e Carlos, vendedores no Centro Comercial Colombo, fazem uma pausa para o cigarro. Estão no cais, uma área ao ar livre utilizada para recepção e entrega de mercadorias. O horário e o tempo que o Colombo permanece aberto é o tema da conversa. "Podia fechar às onze, não há movimento", diz Rita. Inês discorda. "Os horários das pessoas só permitem fazer compras à noite e aos fins de semana".
Para Manuela o centro deve encerrar as portas às dez e aos domingos. Carlos, empregado numa loja de material desportivo, faz eco. "Os clientes acostumam-se com o que é oferecido, se abrirmos até às quatro horas da manhã teremos pessoas a fazer compras". O cigarro acabou e eles têm de voltar para os clientes. Antes de partirem concordam em conversar com o DN sobre suas rotinas no Colombo. São unânimes em condicionar a conversa ao anonimato.
O que é preciso para encontrar trabalho num centro comercial? "É fácil, basta entregar o currículo. O que importa é a aparência, a inteligência não conta", diz Manuela, 20 anos, que trabalha numa loja de roupa íntima. Para atender os requisitos de aparência, Inês passou a alisar os cabelos todas as manhãs, fazer as unhas e arranjar as sobrancelhas uma vez por semana. "Gasto cerca de 60 euros por mês no salão de beleza".
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