Ciclicamente, a questão da energia nuclear é lançada para o debate público em Portugal. E quase de imediato se erguem vozes a dizer que não há nada para discutir, que o debate ficou mais que fechado no passado e que se está a perder tempo. Como se fosse um tabu. Mas quando alguém como Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, evoca o tema, é impossível recusar-lhe atenção. E com o preço do barril de petróleo em subida vertiginosa há mais de dois anos, justifica-se pensar em todas as alternativas, ainda que as simpatias gerais pendam para as renováveis. Quando Patrick Monteiro de Barros defendeu o seu projecto de central nuclear, o petróleo andava nos 60 dólares - agora ronda os 150.
Uma razão forte para a oposição ao nuclear são os eventuais perigos. O fantasma de Chernobyl sobrevive apesar de a explosão no reactor ucraniano ter acontecido há mais de duas décadas. Mas o mundo está pejado de centrais nucleares, a começar pela Espanha. E fala-se de construir centrais no Magrebe. Não existe unanimidade sobre quais os reais riscos do nuclear, mas em qualquer caso a segurança total só seria possível com um consenso mundial. E, uma vez mais, tabus não fazem sentido.
O Presidente da República e o primeiro-ministro não vão estar hoje nos seus gabinetes nos palácios de Belém e S. Bento. Vão estar os dois fora de Lisboa.
Cavaco Silva inicia uma visita de dois dias aos vales do Ave, Sousa e Tâmega. Ouvirá sindicatos, autarcas e empresários numa das regiões mais castigadas pela globalização, em que as taxas de desemprego atingem os dois dígitos, apesar de amenizadas pela emigração de milhares de trabalhadores para Espanha, onde encontraram trabalho na construção civil.
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