por
Ferreira Fernandes
Mais um ciclista, desta vez espanhol, apanhado pelos controlos anti-doping da Volta à França. Desde o caso Festina - a equipa do campeoníssimo Richard Virenque eliminada em 1998 por usar drogas - o cenário tornou-se vulgar: entre duas etapas, a polícia chega ao hotel e prende um ciclista... Embora num só selim, a bicicleta do Tour é de tandem: corredor e doping, ambos a pedalar. A Volta à França (o ciclismo em geral) é um desporto de campeões onde os não-dopados são como se, numa prova de atletismo, os para-olímpicos corressem com os olímpicos: marcam presença mas nunca podem ganhar. O não-dopado é o deficiente do ciclismo. Pior: esses "normais" que não se injectam de EPO, além de terem o destino marcado de não descolar do pelotão, são obrigados a calar. Acusa-se o doping de matar o atleta, mas isso é menor - afinal, suicida-se quem quer. Mais grave é os supercampeões de laboratório roubarem aos limpos de droga a possibilidade de serem simplesmente campeões.
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