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Marcelo fala em arranjos para novo Bloco Central

por

FRANCISCO ALMEIDA LEITE

ANDRÉ KOSTERS-LUSA  

PSD. Marcelo Rebelo de Sousa garante que pode vir aí um novo Bloco Central: caso Sócrates não tenha maioria absoluta recorre a Manuela Ferreira Leite para formar Governo. Segundo Marcelo, o "arranjo" tem o beneplácito de muitos empresários

Analistas políticos vêem sinais de aproximação entre o PS e o novo PSD

O cenário do regresso do Bloco Central no período pós-legislativas de 2009 está ao rubro. Marcelo Rebelo de Sousa, durante um almoço com empresários católicos, afirmou ontem que "começa a perceber-se que das eleições possa sair um arranjo qualquer". O antigo presidente do PSD, citado pela Lusa, disse ainda que Manuela Ferreira Leite admitia "que a situação do País poderia impor acordos de regime" entre sociais-democratas e socialistas.

Marcelo reagia assim à notícia de ontem do DN de que a moção de estratégia global que Manuela Ferreira Leite irá levar ao congresso de Guimarães, que arranca na sexta-feira e dura até domingo, não fecha a porta a uma solução governativa desse género. Mas o actual comentador político da RTP1 vai mais longe e garante: "Já vejo muitos empresários a apontarem para um Governo de Bloco Central." Uma tese que ontem Fernando Rosas, deputado do Bloco de Esquerda, e Vasco Cardoso, membro da Comissão Política Nacional do PCP, também admitiram como bem real.

O assunto é tema de conversa nos bastidores do PSD, em vésperas de congresso, e agora Marcelo Rebelo de Sousa, que apoiou a nova líder, vem alertar para esta possibilidade, ao mesmo tempo que fala dos seus riscos inerentes. "É um risco enorme porque é deixar à solta muita gente, que está nas franjas", diz Marcelo. Ao DN, o historiador Rui Ramos acrescenta que "desde há algum tempo que - e partindo do pressuposto de que Sócrates não tem maioria absoluta - há gente no PSD a oferecer-se para emparceirar com o PS. Só que uns são mais discretos que outros". Para o professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, "o único partido de que não ouvi falar num cenário desses é o PCP. Porque no BE, no CDS, onde há um certo conjunto de pessoas que apostam nisso, e no PSD há quem pense nisso". No caso do PSD, segundo Rui Ramos, "há a vantagem de existir uma espécie de maioria presidencial, que iria preparar as presidenciais de 2011". Marcelo Rebelo de Sousa discorre também sobre este tema, dizendo que o entendimento Sócrates-Manuela não seria fácil, mas que há que contar com o que chamou de "o terceiro elemento": Aníbal Cavaco Silva.


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