por
Mário Bettencourt Resendes
provedor@dn.pt
O noticiário sobre a vida, boa e má, do chamado beautiful people (no léxico corrente, agora utilizado por cá, os "famosos") deixou, há muito, de ser um exclusivo da imprensa cor-de-rosa.
Os jornais, incluindo os de referência, criaram secções em que tratam esse lado mais frívolo da actualidade, também por reconhecerem que há, em muitos casos, um interesse público que não é exclusivo das camadas inferiores da pirâmide social.
O número crescente de publicações de especialidade, e, portanto, a necessidade de diferenciar conteúdos, levou a uma definição muito alargada do conceito de "famosos". Apenas a "velhinha" Olá, sob a batuta experiente de Dulce Varela, mantém alguma reserva sobre a estirpe das gentes e dos acontecimentos retratados. No restante, e embora haja diferenças de segmentos de mercado preferenciais e consequentes exigências nas opções editoriais (a Caras, por exemplo, está a milhas de uma Maria), multiplicam-se páginas com rumores sobre namoros, rupturas, traições amorosas, casamentos, baptizados - agora também doenças e funerais... - de gente de "fama" muito duvidosa. Ex-alternadeiras alternam com figuras de terceira linha de telenovelas de todos os horários ou do mundo da moda e do desporto, não faltam os "empresários" ou "empresárias" (nunca se percebe muito bem qual o tipo de empresa...), criando uma ilusão de celebridade eterna em muitos jovens que sacrificam carreiras com outra segurança e que serão, obviamente, devorados pela voragem televisiva dos nossos tempos. Como, infelizmente, já aconteceu, só voltam um dia às páginas das revistas quando são notícia pelos piores motivos, como detenção por roubo ou ameaça de suicídio.
O modelo actual do DN alargou o espaço dedicado às "gentes". As páginas finais do primeiro caderno (à excepção da última) cobrem noticiário neste domínio, e deve reconhecer-se que o jornal faz um esforço para manter uma qualidade de conteúdos e um estilo que, embora compreensivelmente mais ligeiro, não se afasta do que os leitores devem esperar do DN. Há, para além disso, o novo suplemento Gente, publicado ao sábado, que, de uma forma geral, procura ter as mesmas preocupações. O provedor tem encontrado, e lido com gosto, em todos estes espaços, matérias interessantes, como, por exemplo, no último fim-de-semana, peças sobre Miguel Pais do Amaral (O conde de gelo) e sobre a família Palmela. A generalidade dos temas escolhidos para as páginas de Estilo, também aos sábados, justifica, no mínimo, uma leitura em diagonal.
Mais polémicas são, na opinião do provedor, as opções da nova revista de televisão, publicada à sexta-feira, a acompanhar as edições do DN e do JN. Percebe-se, desde logo, que o objectivo foi concorrer directamente com o que já existe no mercado neste segmento, nomeadamente noutros diários. E, portanto, baixou-se a fasquia da exigência.
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