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internacional

ANGÚSTIA ATÉ À HORA DO CHÁ

por

Alexandra Carreira

Em Dublim  

Tratado de Lisboa. A Irlanda rejeitou o Tratado de Lisboa em referendo e lançou a Europa de novo na incerteza. Apesar de o voto ter sido na quinta- -feira, só ontem, à hora do chá, é que foram divulgados os resultados oficiais: 53,4% de votos contra o texto assinado pelos 27, na capital portuguesa, em Dezembro. A maioria dos líderes da UE declarou que o tratado não morreu e que os outros 26 países devem ratificá-lo. 18 já o fizeram. Faltam oito. O caminho a seguir será delineado no Conselho Europeu dos dias 19 e 20. A Irlanda, apelidada de Tigre Celta pelo desenvolvimento económico, foi a única a referendar o tratado, por imposição da sua Constituição.

Resultados oficiais só foram divulgados por volta das 17.00

A contagem começa à 9.00. As primeiras notícias de que a RTÉ - televisão pública da Irlanda - dizia que "o tratado pode estar em perigo" começam a circular via SMS. Pelas 10.00, os primeiros resultados mostravam que com 10% dos votos contados, nenhuma circunscrição dava a vitória ao "Sim" no referendo ao Tratado de Lisboa.

No centro de contagem de votos de Dublim, em Ballsbridge, a máquina paralela montada pelos partidos em torno dos funcionários que desdobram os boletins retirados das urnas, permite ter uma imagem relativamente clara daquele que acabaria por ser o resultado - e, quiçá, do futuro do Tratado de Lisboa. Abre a urna, retira os boletins aos molhos, desdobra, junta em montinhos de "Sim" e de "Não". Na frente, a preencher tabelas estão uma espécie de "olheiros" dos partidos. Com atenção aos quadrados onde os eleitores tinham de colocar a cruz, em cima a do "Sim", por baixo a do "Não". É através deste estratagema que saem as primeiras projecções do dia.

Em barulho e cores de fundo, estão os apoiantes do "Não", também dentro do centro de contagens. Vestidos com camisolas encarnadas e autocolantes, como se ainda se tratasse de fazer comício. Sempre que deles se aproxima uma câmara de televisão, vêem-se saltos e gritos de guerra pelo "Não" a Lisboa. Mais quietos e espalhados pelos cantos do centro de congressos transformado para a contagem de votos, alguns representantes do "Sim". Eurodeputados, políticos nacionais. Meio sem reacção, só quando entra no pavilhão Declan Ganley, uma espécie de figura nacional pelo "Não", líder do movimento Libertas, se ouvem murmúrios abafados dos derrotados. "Lá vai ele como se fosse o vencedor de uma qualquer eleição", diz um assistente de um político do Fianna Fáil, o partido do Governo.


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