por
ANA MAFALDA INÁCIO, ANA SUSPIRO e ANA SÁ LOPES
Bloqueio. O Governo reuniu-se ontem pela primeira vez com as forças de segurança para responder aos efeitos da crise dos camionistas. Deu ordens expressas para que todos os meios sejam accionados a fim de impedir que os camionistas que queiram avançar sejam bloqueados pelos que decidiram parar
Executivo reúne-se de emergência para analisar a crise
O Governo esteve ontem reunido pela primeira vez de emergência para analisar os efeitos mais graves da paralisação dos camionistas: ruptura no abastecimento em bombas, sobretudo na região de Lisboa, e falta de produtos essenciais nas cadeias de distribuição. De acordo com o que apurou o DN, o Governo de Sócrates aproveitou a reunião da Comissão de Planeamento Energético de Emergência (CPEE) - coordenada pelo Ministério da Economia - para convocar também as forças de segurança e definir orientações para o dia de ontem e hoje, caso os protestos se agravem.
Na reunião, onde estiveram os ministros da Economia, das Obras Públicas e o secretário de Estado da Administração Interna, as forças de segurança receberam ordens espe- cíficas travar qualquer bloqueio de estrada e para escoltar todos os camiões que se destinassem ao abastecimento do aeroporto, postos de gasolina considerados prioritários, empresas de transportes públicos e viaturas de organismos do Estado, como das próprias forças de segurança e de socorro. "Se houver camiões que tentem marchas lentas ou impedir a circulação de outros e até bloqueá-los, as forças de segurança têm ordens para actuar com gruas e reboques para os remover. Se houver apedrejamento, quem for apanhado será detido", referiu ao DN fonte presente no encontro. Até ontem, tais ordens não tinham chegado aos operacionais, já que o próprio Executivo acreditava que o protesto não viesse a atingir tais proporções, até porque tinha esperança num acordo com a associação do sector, a ANTRAM.
A reunião começou por volta das 12.00 e durou até ao início da noite. A partir de hoje, as forças de segurança vão estar em peso nas estradas, "com mais visibilidade", disseram-nos. À entrada de Lisboa e do Porto, vão estar unidades especiais da PSP, corpo de intervenção, brigadas de intervenção rápida e Divisão de Trânsito. Nas estradas, a GNR tem preparados efectivos do Batalhão Operacional e da Brigada de Trânsito. Mas já ontem, a partir das 13.00, as forças de segurança tiveram que reforçar os efectivos nas ruas, colocando elementos em pontos estratégicos para evitar o apedrejamento aos veículos que quisessem avançar em direcção a Lisboa.
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