por
HELENA TECEDEIRO
Para os candidatos à nomeação democrata para as presidenciais americanas, as primárias de Porto Rico podem ser a última oportunidade para conquistar um número significativo de delegados. Para Hillary Clinton, esta é mesmo vista como a derradeira hipótese para se aproximar de Barack Obama. Mas para os porto-riquenhos, esta campanha prolongada, que deu às primárias na sua ilha uma importância rara, permite-lhes reivindicar a mudança de estatuto que muitos desejam.
Associada aos EUA, a ilha descoberta por Cristóvão Colombo em 1493, tem debatido nos últimos anos a hipótese de integrar a União e tornar-se no 51.º estado. Metade dos perto de quatro milhões de habitantes parece apoiar esta ideia, mas os outros 50% pretendem manter o actual estatuto, que lhes garante menos direitos mas impostos mais baixos.
Sentindo-se esquecidos pelos políticos de Washington, os habitantes de Porto Rico pretendem aproveitar a presença dos candidatos democratas na sua ilha para apresentar as suas reivindicações. "Eles dizem que vão resolver a questão do estatuto, mas depois não fazem nada", disse ao Boston Globe José Herrera, que aos 22 anos trabalha numa rádio.
E enquanto os porto-riquenhos esperam usar o voto de hoje para influenciar umas eleições nas quais não poderão votar em Novembro (como estado associado, Porto Rico não tem lugar no Colégio Eleitoral), os candidatos não poupam esforços para conquistar os 55 delegados em jogo nas primárias. Sobretudo Hillary. A ex-primeira dama precisa de uma vitória clara para se manter na corrida.
Uma sondagem do El Vocero, o jornal da capital, San Juan, dá a vitória a Hillary com 51% dos votos, contra 38% de Obama. Neste momento, o senador - com 1984 delegados - só precisa de 41 para atingir os 2025 necessários para garantir a nomeação. Hillary, por seu lado, tem 1783 delegados. A ex-primeira dama já passou o fim-de-semana na ilha enquanto em Washington os democratas decidiam o futuro dos delegados do Michigan e Florida. No jogo dos argumento, Hillary recordou a sua ligação aos porto-riquenhos de Nova Iorque e Obama recordou que a sua infância numa ilha, o Havai, lhe permite perceber os problemas de Porto Rico.|
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