por
ANA TOMÁS RIBEIRO, FRANCISCO ALMEIDA LEITE, LUÍS NAVES e PATRÍCIA VIEGAS
Os Acordos de Parceria Económica (APE) entre a Europa e África estragaram o ambiente de quase festa que se vivia ontem no encerramento da Cimeira UE-África, em Lisboa. O presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, abandonou a cimeira, descontente com a intenção da Comissão Europeia (CE) de impor um determinado tipo de acordo comercial e José Manuel Durão Barroso lembrou que existem acordos interinos para evitar a ruptura no comércio entre os dois continentes e que as negociações continuam durante 2008.
Nas declarações finais, os líderes europeus e africanos não mencionaram o assunto e só com as perguntas dos jornalistas a matéria foi admitida.
A questão que dividiu europeus e africanos tem a ver com acordos de comércio preferencial incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em 2000, esta entidade deu sete anos para os dois blocos resolverem o problema e o prazo acaba a 31 de Dezembro. Como não houve cimeiras, o assunto arrastou-se, só que não podia haver um vazio.
Os acordos interinos da CE contemplam um acesso a 100% dos produtos africanos ao mercado da União Europeia, para além de taxas mais favoráveis, de forma impulsionar a economia local. "A Europa é, de longe, a zona mais aberta às importações de África", disse o presidente da Comissão. "Não estamos a impor nada. Vamos continuar a negociar os acordos de parceria e ofereci-me para tratar disso na Comissão", concluiu Durão Barroso.
Do lado africano, o entusiasmo não é tão grande. Entre outros motivos, a UE terá um maior acesso aos mercados africanos, o que causará, no entender da Oxfam - confederação de 13 organizações não-governamentais que trabalha em 100 países em prol de soluções para o combate à pobreza e injustiça -, uma maior vulnerabilidade, sobretudo para os países mais pobres e em vias de desenvolvimento.
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